segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Let It Be e o fim à vista


Na minha preciosa caixa de 9 de Setembro, Let It Be, como sempre, vem mal ordenado. Bem sei que foi o último álbum a sair, já depois da separação do grupo, a 10 de Abril de 1970. Let It Be só viu a luz do dia quase um mês depois, a 8 de Maio, mas foi gravado antes de Abbey Road, e eu respeito escrupulosamente a ordem cronológica dos discos.

É uma obra que me magoa estranhamente. Andava eu ainda no Liceu, tinha 16 anos, comprei uma revista inteiramente dedicada aos Beatles, deve estar algures em casa da minha Mãe, nunca deitaria tal coisa fora. A revista (que a professora de Introdução à Política até me pediu emprestada) definia Let It Be em palavras que nunca mais esqueci, tanto concordo com elas: «that strange, sad documentary of a group tearing itself into pieces».

Nada mais verdadeiro. Tem algumas músicas magníficas, é certo. Mas persiste uma sensação regelada de fim, de desarmonia. Os quatro tinham crescido em direcções diferentes, nada havia já a fazer. O grande prodígio, para mim, é terem ainda, depois disto, conseguido produzir um último milagre:  Abbey Road.

No Gira-discos: Across The Universe
(provavelmente a minha favorita)

A maratona continua


Vou a meio de Sgt. Pepper's. E, como sempre, tento imaginar o que teria sido, nesse longínquo dia 1 de Junho de 1967 (o grande ano da música!), chegar a casa com o disco acabado de comprar. Numa ansiedade febril, tira-se o envelope interior, em que está a preciosa rodela de vinil, ainda virgem. Mira-se e remira-se a capa surpreendente, tão diferente de qualquer coisa até aí publicada. Põe-se o disco a girar no prato, baixa-se a agulha com mil cuidados. E depois... surge aquela feérica explosão de sons. Nunca tinha havido nada assim.

Não, não é o meu disco preferido dos Beatles. Mas consigo perceber muito bem que continue a ser considerado, ano após ano, e por gente que percebe bem mais disto do que eu, o disco mais importante de sempre.

47 anos!



Esta capa tem uma longa história, nascida da minha ignorância e de ter apenas dois anos acabados de cumprir no dia histórico em que o single de Love Me Do foi lançado, faz hoje 47 anos.

Pela primeira vez, e graças ao Luís do Ié-Ié, posso pôr aqui a verdadeira e genuína capa do disco. E vale a pena conhecer-lhe a história, tal como ele ma contou há alguns meses:


«Esta é uma 1.ª edição legítima, segundo a "bíblia" Beatles Worldwide II, de Christoph Maus.

Distingue-se das edições posteriores porque a etiqueta não tem inscrito "Made In G. Britain". Só as edições posteriores, a partir de 1963, têm essa inscrição.

Donde este single saiu mesmo a 5 de Outubro de 1962!

Consegui esta pérola no eBay precisamente no dia de Natal de há 6 anos! Foi a prenda de Natal de mim para mim!»

Obrigada, muito obrigada, Luís!


Hoje é o dia da minha homenagem anual e por inteiro aos Beatles. Que foram, juntamente com Mozart, o meu primeiro grande amor na Música. Cá em casa não se ouvirá hoje outra coisa até tocar a obra completa deles, do primeiro ao último disco (Past Masters incluído). Aos berros, que há que educar esta vizinhança que insiste em coisas esquisitas que me arrepiam quando consigo identificá-las. A dançar pela casa, que a alegria é irresistível. A chorar às vezes, porque há músicas que me cortam o coração em bifes muito fininhos. Este ano com qualidade redobrada, que pela primeira vez vou ouvir por inteiro a nova edição de 09.09.09.

É coisa para o dia todo, num ritual que cumpro desde 1982. Quando chega ao fim estou sempre emocionalmente exausta, tantas as coisas que a minha saudade revisitou em pensamento. Quando chego ao fim sei sempre, com uma certeza acrescida, que a frase final deles, na última música do último disco (e desculpem a redundância, mas tenho de frisar isto), é uma das maiores verdades desta vida:

«And in the end the love you take is equal to the love you make.»

Ou devia ser.
No Gira-discos: Please Please Me

sábado, 26 de Setembro de 2009

Abbey Road — 40 anos!


Há mais de dois anos que tinha esta data assinalada na agenda do Google. Que, muito amavelmente, logo pelas sete da manhã me lembrou este aniversário tão importante: os 40 anos do último disco dos Beatles, possivelmente o que me é mais querido. Li muito sobre Abbey Road por essa blogosfera fora, ninguém contou o disco tão bem como o Rato, do Rato Records.

Eu não saberia escrever coisa tão minuciosa, tão completa.  E porque não há aqui ambição de brilho, apenas amor pelos Beatles, fiquemos com o melhor que li. O autor autorizou alegremente, até me mandou o HTML da sua entrada. De nada me serviu, tão diferentes são as formatações dos nossos blogues. O dele com fundo claro, este com fundo escuro. Foi um duro labor, meus amigos. Mas por uma nobre causa: o nosso comum amor aos Beatles. Passo a palavra ao Rato. É tudo dele, texto e fotografias. É tudo nosso, que os Beatles são este amor sem princípio nem fim.


Originally Released on LP Apple PCS 7088
(UK 1969, September 26)


Último álbum gravado pelos Fab Four (como não podia deixar de ser, n.º 1 em ambos os lados do Atlântico), embora Let It Be fosse editado posteriormente, já em 1970, é porventura o mais perfeito de toda a história da música rock. E isto apesar de nada o fazer prever. Com efeito, desde a morte de Brian Epstein que as tensões entre os quatro Beatles não tinham parado de crescer. Atingira-se um ponto em que não conseguiam concordar em nada, sobretudo na música que cada um queria fazer. No campo da gestão do património do grupo a guerra era total, entre John Eastman (advogado de sucesso e pai de Linda Eastman), obviamente apoiado por McCartney e Allen Klein, apoiado por Lennon, com conivência dos outros dois Beatles (Klein manteve contrato com os três até 1977). O resultado dessa guerra traduziu-se em mais uma razão para o fim do grupo.



Antes, porém, e num último tour de force, McCartney sugeriu a George Martin a gravação de mais um álbum, no sentido de tentar atenuar um pouco as relações entre os membros do grupo. Martin impôs duas condições básicas: ser ele a controlar toda a produção (como nos “velhos” tempos) e ter a concordância inequívoca de John Lennon para tal projecto. Por estranho que tivesse parecido na altura, Lennon acedeu prontamente, não levantando qualquer problema. George Emerick foi chamado para engenheiro de som, tendo Alan Parsons e Philip McDonald como assistentes, e Tony Banks como operador das fitas de gravação. Estava assim constituída a tripulação que levaria aquele barco a porto seguro.



 Apesar do prévio acordo, a estrutura de Abbey Road foi bastante discutida. John queria que fosse um album de rock 'n' roll puro e simples, enquanto Paul antevia antes uma pop opera de diferentes canções, todas ligadas num longo medley. O resultado, pelo visto, satisfez ambos.




O lado 1 ajusta-se mais às ideias de John, que contribuía com duas faixas: Come Together e I Want You; Paul assinava mais duas, Oh! Darling e Maxwell's Silver Hammer, e George e Ringo ficavam-se com uma cada, respectivamente Something e Octopus's Garden.


COME TOGETHER (Lennon/McCartney)

Gravado em 21, 22, 23, 25, 29 e 30 de Julho de 1969

Composta por Lennon a pedido do guru do LSD, Timothy Leary (que na altura concorria a governador da Califórnia com o slogan “Let’s Get It Together”), esta faixa de abertura (que introduz pela primeira vez a técnica da slide guitar de Harrison) foi inspirada no tema You Can’t Catch Me, de Chuck Berry, do qual Lennon copiou inclusive parte de um verso. Recentemente, nas notas para o disco Love, George Martin escreveu que Come Together é a sua música favorita de toda a carreira dos Beatles.

SOMETHING (Harrison)

Gravado em 2 e 5 de Maio; 11, 16 de Julho e 15 de Agosto de 1969

Inspirada numa estrofe de uma canção de James Taylor — Something in The Way She Moves, esta é sem dúvida a mais famosa canção de George Harrison, apesar de um dia o crooner Frank Sinatra ter dito que a considerava o melhor tema de Lennon/McCartney. A musa inspiradora foi Pattie Boyd, na altura ainda mulher de George, mas que viria a trocar o Beatle pelo amigo Eric, que de igual modo se deixou enlear em toda aquela luz inspiradora (Layla, Wonderful Tonight).

Something, escrita durante as gravações para o White Album, é marcada por uma melodia belíssima e representa a maturidade de Harrison como compositor. Originalmente a música terminava numa longa jam session e a orquestra de 21 músicos foi adicionada três meses depois da gravação original. Chegou a ser “oferecida” em primeira mão a Joe Cocker (que a gravaria mais tarde), mas tal decisão foi repensada e, felizmente, foram os Beatles que primeiro a gravaram. Lançada também como single, foi o primeiro 45 rotações a ter uma música de George Harrison no lado A (o lado B era Come Together). É a melhor canção do álbum, segundo Lennon, e a melhor de George, segundo McCartney, que no dia 29 de Novembro de 2002 a cantou, juntamente com Eric Clapton, no Concert for George, um ano após a sua morte. Será que Pattie Boyd se encontrava na assistência?






MAXWELL´S SILVER HAMMER (Lennon/McCartney)
Gravado em 9, 10, 11 de Julho e 6 de Agosto de 1969
Uma música de Paul no estilo de Sgt. Pepper's. Originalmente deveria fazer parte do disco Let it Be, já que o filme mostra o grupo a ensaiá-la, mas só foi gravada meses mais tarde. A letra conta a história de um maníaco homicida que mata toda a gente com o seu martelo de prata. Paul canta, toca guitarra e piano, e pela primeira vez num disco dos Beatles é usado um sintetizador Moog, um avanço tecnológico na época. John não participou na gravação por, segundo ele, a canção ser mais uma ideia estapafúrdia de Paul; e uma bigorna é tocada por Mal Evans para dar o som oco do martelo (hammer).

OH! DARLING (Lennon/McCartney)
Gravado em 20 e 26 de Abril; 17, 18, 22 e 23 de Julho; 8 e 11 de Agosto de 1969

Esta canção de McCartney é mais uma brincadeira ao estilo dos anos 50. Para poder realizar o vocal gritado e rasgado que caracteriza a música, McCartney gravava apenas uns versos da canção por dia, no início da manhã, para que a sua voz tivesse o tom e a força necessários. No álbum Anthology 3 é possível ouvir uma outra versão cantada por John Lennon.





 OCTOPUS'S GARDEN (Starkey)

Gravado em 26, 29 de Abril e 17, 18 de Julho de 1969

A segunda música de Ringo a ser gravada pelos Beatles (a primeira fora Don´t Pass Me By, do White Album), e o seu primeiro grande sucesso. Foi inspirado numa viagem à ilha da Sardenha, quando Ringo se cruzou com uma guia turística que falava sobre a vida dos polvos. A guia dizia que os polvos, para se protegerem, juntavam pedras coloridas em frente das suas tocas, criando uma espécie de jardim. Daí o título, Octopus’s Garden. A letra simples que lembra temas infantis, a simpatia de Ringo e a competência dos outros Beatles em acompanhá-lo tornaram Octopus's Garden um número muito querido entre os fãs ao longo dos anos. Além dos instrumentos convencionais, Paul toca piano, e são usados alguns efeitos como bolhas num copo de água sopradas por Ringo, e vozes modificadas por amplificadores.


I WANT YOU (SHE´S SO HEAVY) (Lennon/McCartney)

Gravado em 22, 23 de Fevereiro; 18, 20 de Abril e 8, 11, 20 de Agosto de 1969

Escrita por John para Yoko, este tema é mais um instrumental do que propriamente uma canção convencional, já que contém apenas duas frases. A parte She´s So Heavy vem de outra música de John, que foi unida à primeira. É uma das músicas mais longas dos Beatles (perto de 8 minutos). A guitarra solo é de John, que toca o moog até ao final, quando a música é abruptamente interrompida (o que na verdade aconteceu foi a fita de gravação ter terminado, e John achar interessante deixá-la assim na mistura final). 20 de Agosto de 1969, dia em que a canção foi terminada, acabou por ser a última vez que todos os Beatles estiveram juntos a tocar num estúdio.




O lado 2 contém então a suite desejada e escrita por Paul (um total de nove temas, desde You Never Give Me Your Money até Her Majesty), além de mais dois temas iniciais: Here Comes The Sun, de George, e Because, de John. O resultado global é magnífico, não se conseguindo imaginar um melhor testamento musical.

HERE COMES THE SUN (Harrison)

Gravado em 7, 8, 16 de Julho e 6, 11, 15, 19 de Agosto de 1969

Outro grande sucesso de George Harrison. Composta nos jardins da casa de Eric Clapton (só um inglês sabe como o sol na sua terra é bem-vindo) e feita apenas com variações no acorde D (ré) da guitarra. É um dos trabalhos mais melódicos dos Beatles. George toca os violões e o seu recém-adquirido sintetizador moog (mais tarde gravaria um disco solo só com esse instrumento — Electronic Sound).


BECAUSE (Lennon/McCartney)

Gravado em 1, 4 e 5 de Agosto de 1969
Um dos pontos altos de Abbey Road. Esta música não é de Paul McCartney, e sim de John Lennon, num dos seus momentos mais inspirados. Yoko tocava a Moonlight Sonata de Beethoven ao piano quando John pediu que a tocasse ao contrário. Daí surgiu a melodia de Because, um dos melhores arranjos vocais feitos pelo Beatles, dobrados algumas vezes (cada vocal foi sobreposto três vezes em cada microfone, totalizando nove vozes. As versões solo dos vocais podem ser ouvidas na Anthology 3). George Martin toca cravo, John guitarra, Paul baixo, e George Harrison o seu moog. Enquanto gravavam exigiram a presença de Ringo no estúdio, mesmo sem participar, apenas para partilhar aquele momento de harmonia, segundo George Emerick.





YOU NEVER GIVE ME YOUR MONEY (Lennon/McCartney)
Gravado em 6 de Maio; 1, 11, 15, 30, 31 de Julho e 5 de Agosto de 1969
Aqui começa a grande obra de Abbey Road, o pot-pourri formado pelas canções inacabadas de John Lennon e Paul McCartney. Esta foi criada por Paul e divide-se, na verdade, em três temas distintos: Em You Never Give Me Your Money, a música em estilo clássico e a letra pessimista reflectem a sua insatisfação com os rumos da banda, principalmente os financeiros – uma nota de culpa para Allen Klein. «Ele só nos dava papéis e mais papéis e quando perguntávamos sobre dinheiro e a situação da Apple ele desconversava, dizendo que éramos músicos e não homens de negócios.» Logo em seguida entra Magic Feeling, com a voz de Paul lembrando cantores dos anos 50 e perspectivando um beco sem saída: «But all that magic feeling / Nowhere to go.» As vozes referenciais de Because e Sun King entram aqui também. Em seguida vem One Sweet Dream, que descreve um sonho dourado, algo como dar a volta por cima: «One sweet dream / Pick up the bags and get in the limousine.» Nessa parte da canção, George usa arpejos similares aos de Here Comes The Sun com um amplificador Leslie, o que regista essa espécie de guitarra que mais tarde se tornaria sinónimo do “estilo Harrison”. E para finalizar, com um baixo inspirado e sons de grilos e outros animais, uma frase com rima, onde os Beatles contam até sete e dizem que «todas as crianças boazinhas vão para o céu.»


SUN KING (Lennon/McCartney)

Gravado em 24, 25 e 29 de Julho de 1969

Canção escrita por Lennon, cujo nome original era Here Comes The Sun King, mas foi encurtado para Sun King, a fim de evitar confusões com a música de Harrison Here Comes The Sun. Com um vocal triplo não tão elaborado como em Because, a música utiliza ainda algumas palavras em espanhol, italiano e português. Segundo Lennon: «Começámos a brincar a falar outras línguas e acabámos por misturar tudo! Paul sabia um pouco de espanhol que aprendeu no colégio, inventámos algumas palavras sem sentido e o restante tirámos de jornais». John compõs a música, usando a técnica do dedilhado que havia usado em Julia, do White Album. Outro ponto interessante nesta música foi o efeito “cross-channel movement”, que consistia em mudar o som de um canal para o outro (da direita para a esquerda e ao contrário, simultaneamente). Em entrevista de 1987, George disse que, para o timbre da guitarra, se inspirou em Albatross, dos Fleetwood Mac.


MEAN MR MUSTARD (Lennon/McCartney)

Gravada em 24, 25 e 29 de Julho de 1969

Tema de Lennon composto na Índia, era para fazer parte do White Album. Baseado num facto real descrito por um jornal sobre um homem miserável que escondia dinheiro para que as pessoas não o forçassem a gastá-lo. Foi encontrada uma versão demo gravada na casa de Harrison em Esher, que aparece em Anthology 3; nela é possível saber que o nome da irmã de Mustard era Shirley, mas que foi mudado para Pam para fazer a transição para a música seguinte, Polythene Pam.


POLYTHENE PAM (Lennon/McCartney)
Gravado em 25 e 28 de Julho de 1969

Para compor Polythene Pam, Lennon inspirou-se no encontro que tivera anos antes com um amigo poeta de Liverpool, Royston Ellis (descrito por John na famosa entrevista da Playboy, em 1980, como «o homem que apresentou os Beatles às drogas») e a sua namorada Stephanie. Na ocasião, ela estava vestida com uma roupa de polietileno. Há também a história sobre Pat Hodgett, fã dos tempos do Cavern, que costumava comer polietileno e era conhecida como Poliythene Pat.


SHE CAME IN THROUGH THE BATHROOM WINDOW (Lennon/McCartney)

Gravado em 25 e 28 de Julho de 1969
Mike Pinder, dos Moody Blues, contou a McCartney uma história de uma groupie que tinha entrado pela janela da casa de banho de Ray Thomas (outro membro dos Moody Blues) para passar a noite com ele. Paul achou a situação divertida e resolveu escrever um tema sobre o episódio.




 


GOLDEN SLUMBERS (Lennon/McCartney)

Gravado em 2, 3, 4, 30, 31 de Julho e 15 de Agosto de 1969
Adaptação de um poema do século 17 de Thomas Dekker. Uma bonita canção de Paul, que a compôs durante uma estada em casa do pai, em Heswall.


CARRY THAT WEIGHT (Lennon/McCartney)


Gravado em 2, 3, 4, 30, 31 de Julho e 15 de Agosto de 1969
Outra música de Paul, que parece aproveitar nova ocasião para lançar mais umas farpas a Allen Klein: «Boy, you're gonna carry that weight / a long time.» No entanto, no filme Imagine, Lennon afirma que nesta canção Paul se referia a todos os outros Beatles. John não participou nas sessões destes últimos dois temas (apenas gravou os backings posteriormente) devido a um acidente de carro com Yoko e Julian, que o obrigou a passar uns dias no hospital.


THE END (Lennon/McCartney)
Gravado em 23 de Julho e 5, 7, 8, 15 e 18 de Agosto de 1969
O final do disco e praticamente a despedida da banda. Coincidência ou não, cada um dos Beatles dá o seu adeus. Ringo faz o seu primeiro solo de bateria, e logo depois entram as guitarras de Paul, George e John (nesta sequência), e cada um intercala o seu solo. Após o break, o grand finale: «And in the end, the love you take is equal to the love you make.» Lennon disse na entrevista da Playboy: «Aquilo é Paul McCartney. A frase final carrega uma filosofia cósmica que prova que quando Paul quer algo, ele consegue.»


HER MAJESTY (Lennon/McCartney)
Gravada em 2 de Julho de 1969
Esta faixa escondida do álbum (não creditada no verso da capa), que aparece cerca de 20 segundos de silêncio após The End, deveria estar no medley entre Mean Mr Mustard e Polythene Pam, mas o resultado não ficou bom e o engenheiro de som Malcom Davies incluiu-a na cópia de acetato do disco. Paul McCartney gostou e a música acabou por sair assim também no disco original. Uma homenagem de Paul à Rainha, num número acústico em que toca viola.






A CAPA


A famosa fotografia da capa do álbum foi tirada do lado de fora dos estúdios da EMI em 8 de agosto de 1969 por Iain Macmillan (morreu em 2006). A sessão de fotos durou uns escassos quinze minutos. John, sempre muito apressado, só queria «tirar a foto e sair logo dali, deveriamos estar a gravar o disco e não a posar para fotos idiotas». Foram feitas seis fotos. Paul McCartney escolheu a que achou melhor, visto ter sido ele quem teve a ideia do título e da imagem para o novo álbum. Até então houvera o sério risco de o álbum se chamar Everest, apenas porque era essa a marca dos cigarros que Geoff Emerick fumava. Inclusive, até se tinha equacionado uma ida aos Himalaias para se tirar uma fotografia dos Beatles junto ao célebre monte.

A foto foi objecto de mais rumores e teorias de que Paul estaria morto, vítima de um acidente de moto em 1966. Apesar de ter sido apenas uma brincadeira e puro marketing do grupo, a lenda ainda é assunto para alguns beatlemaníacos. Na capa do LP, os Beatles estão a atravessar a rua numa passadeira a poucos metros dos Estúdios Abbey Road (que só após o lançamento do álbum seriam assim designados).







A foto conteria supostas pistas que dariam força ao rumor de que Paul estava morto: está descalço, fora de passo com os outros, está de olhos fechados, tem o cigarro na mão direita, apesar de ser canhoto, e a placa do carocha estacionado (pertencente na altura a um turista sueco que recusou tirar dali o carro quando isso lhe foi pedido) é “LMW”, referindo serem as iniciais de “Linda McCartney Widow” e abaixo o “28IF”, supostamente referindo-se ao facto de que McCartney teria 28 anos se (if em inglês) estivesse vivo (o I em “28IF” é realmente um “1”, mas isso é difícil de se ver na capa). Um contra-argumento é que Paul tinha somente 27 anos no momento da publicação de Abbey Road, embora alguns interpretem isso como ele teria um dia 28 anos se estivesse vivo). Os quatro Beatles na capa, segundo o mito “Paul está morto”, representariam o Padre (John, cabelos compridos e barba, vestido de branco), o responsável pelo funeral (Ringo, com um fato preto), o Cadáver (Paul descalço — como um corpo dentro de um caixão), e o coveiro (George, em jeans e com uma camisa de ganga). Outra suposta pista seria que na contracapa do álbum, do lado esquerdo da palavra Beatles, haveria oito pontos que, ligados, formariam o número 3 (sendo então “3 Beatles”). O homem no passeio, à direita, é Paul Cole, um turista dos EUA que só se deu conta  de que estava a ser fotografado quando viu a capa do álbum, meses depois.




CURIOSIDADES

— É o 1.º álbum do grupo a ser editado apenas em stereo (era usual, até então, os álbuns serem editados simultaneamente em mono e em stereo), inovação rapidamente adoptada pela maioria das companhias discográficas.


— Durante as sessões de Abbey Road foram ainda gravadas mais seis faixas, não aproveitadas na edição final do álbum:


—  What’s The New Mary Jane, que John pretendia editar como um single da Plastic Ono Band, por o tema ter sido rejeitado pelos outros três; mas depois desistiu da ideia


Junk, editada posteriormente no primeiro álbum a solo de Paul, McCartney


Not Guilty, de Harrison, regravada em 1979 e incluída no álbum George Harrison



When I Come To Town, Four Nights In Moscow e I Should Like Tom Live Up A Tree, que, tal como a primeira, continuam sem ver a luz do dia.







 — Abbey Road é o álbum mais vendido dos Beatles.






— Alan Parsons, o assistente de som, produziu o clássico de 73 The Dark Side of the Moon, da banda inglesa Pink Floyd.





— O carocha da capa está actualmente no museu da Volkswagen em Wolfsburg, Alemanha.



— A fotografia da capa mostra os Beatles a atravessarem a passadeira em Abbey Road, afastando-se do edifício dos estúdios. Este pormenor, mais o título da penúltima faixa (The End), fazia temer o pior. E o pior aconteceu realmente, seis meses depois, em 10 de Abril de 1970, quando Paul anunciou oficialmente ao mundo a extinção do grupo mais famoso de todos os tempos.


















No Gira-discos: Golden Slumbers/Carry That Weight/The End




domingo, 20 de Setembro de 2009

Felicidade celestial

A minha edição da obra total dos Beatles saída a 9 de Setembro chegou na quinta-feira ao Colosso. Infelizmente eu não estava lá para a receber, que precisei de usar esse dia e o seguinte como dias de férias para tratar de assuntos relacionados com o livro do centenário do Liceu. Ontem foi o piquenique do Ié-Ié (que adorei, pessoas fantásticas). Hoje não aguentei, enfiei-me no metro e fui buscar a minha preciosidade. O polícia que veio abrir-me o portão de entrada dos carros ficou espantado por me ver aparecer a um domingo, lá foi procurar a chave do meu gabinete (todos são fechados à chave à noite) e até me fez companhia. «Ó D. Teresa, isso é que é amor pelos Beatles!», riu ele, quando lhe mostrei o meu tesouro.

No metro quase vazio, na viagem de regresso, mirava e remirava a caixa, extasiada, um sorriso de felicidade irreprimível e (por certo) completamente cretino. Nem resisti a fotografá-la logo ali. Um casal americano (o metro, para aquelas bandas, tem mais estrangeiros do que portugueses), aí entre os 60 e os 70, no banco do lado, não resistiu a meter-se comigo:

— My! You're some Beatles's fan, huh?

Acenei risonhamente que sim, que era uma grande fã.

— What's your favourite album? — perguntou a senhora.

Hesitei, como hesito sempre.

— Hmmm... I wouldn't know. I would say Rubber Soul or Abbey Road, but then there's Help!, and the White Album, and Sgt. Pepper's... And Beatles For Sale...

Escangalharam-se os dois a rir.

— You're a total Beatlemaniac!, disse o senhor.

Confirmei orgulhosamente. Disseram-me que assim que voltassem para casa (Columbus, Ohio), na quarta-feira, também iam comprar, era coisa imprescindível. Ele tinha estado no concerto do Hollywood Bowl, em 1965, fulminei-o com um olhar perdido de inveja. Na altura ainda não se conheciam, mas ambos tinham assistido em directo à lendária actuação dos Beatles no Ed Sullivan Show. Saíram na estação do Parque, apertando-me calorosamente a mão. «Bye, honey», ainda disse a senhora, fazendo-me uma festa no cabelo.

Ontem, no piquenique, eu tinha perguntado se alguém achava o novo som dos discos assim tão diferente. Eu ainda só tinha ouvido Please Please Me, o disco que comprei no dia do lançamento, pelo simbolismo, e do qual tenho agora três exemplares (além do vinil, claro) ,e não percebia exactamente onde estava a diferença. Ninguém me deu uma resposta conclusiva. Proclamei que, assim que tivesse a caixa nas mãos, iria fazer o teste com When I'm Sixty-Four, que tem um fantástica distribuição de diferentes instrumentos entre as duas colunas.

E assim fiz. Mal cheguei a casa, retirei Sgt. Pepper's do celofane, espetei os auscultadores na cabeça e... meus amigos, fiquei DES-LUM-BRA- DA!!! Que clareza, que pureza de som!!! Repeti a faixa umas quatro vezes, e não resisti a pôr também o tema título e She's Leaving Home, que corre o sério risco de ser a minha favorita entre todas as músicas dos Beatles.

A seguir passei para Rubber Soul, eterno grande amor, que ouvi corrido, com a maior atenção. Em I'm Looking Through You, outra das minhas eternas favoritas, detectei, na coluna esquerda, uma deliciosa batida de nem sei que instrumento na qual nunca tinha reparado. Estou em êxtase, é o que vos digo!



Desculpem a questão da música, estou outra vez com problemas, o hotlinkfiles.com não está a funcionar. E o parvo do imeem.com continua a dar só 30 segundos de música, não é? Confirmam-me, por favor? É que eu oiço-a na íntegra, mas deve ser porque foi alojada por mim. Para a ouvirem toda terão, provavelmente, de abrir o link.

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segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Y E S !

Estou convencida de que me chega às mãos na quarta-feira, ou talvez até mesmo amanhã!

Fazem-me um enorme favor? Dizem-me se ao abrirem o blogue a música toca? Um dos dois está com problemas: ou o site onde a alojo ou o meu computador.

domingo, 13 de Setembro de 2009

Roubalheira descarada

Esta entrada é do meu blogue principal, A Gota de Ran Tan Plan. Mas, como interessa especialmente aos fãs dos Beatles, transcrevo-a para aqui.

Só compro na Fnac se não tiver mesmo alternativa. Isto é, um livro em português que não encontre noutro lado.

Tomemos o caso da recente edição da obra completa dos Beatles, na quarta-feira passada, o já célebre 09.09.09.

Na Amazon britânica o preço de qualquer disco da edição (tirando os duplos, claro) é de £ 9,98. Com os 15% de IVA fica sensivelmente em 13 euros.

Em Portugal, na Worten, o preço é de € 13,90, como podem ver na capa do meu Please Please Me. Os duplos (Álbum Branco e Past Masters) custam € 21,89.

E na Fnac? — perguntarão vocês.

Pois é. € 16,95, olarila! € 24,95 para os duplos.

Quer isto dizer que quem quiser comprar a edição completa (nem uma nem outra têm a caixa, que mandei vir da Amazon e me custou € 212,91, não esqueçamos os portes de correio), 14 CD, dois deles duplos, paga na Worten € 210,58. Na Fnac paga a frioleira de € 253,30!

E ainda têm a distinta lata de lhe chamar preço verde, com um valor de € 23,50 riscado, como se estivessem a fazer uma atençãozinha ao freguês. No Cascaishopping é particularmente cómico/insultuoso, porque as duas lojas ficam lado a lado. Uns ladrões, é o que eu digo!


Queria pôr Money (de With The Beatles) no gira-discos, mas o site em que alojo a música está com problemas. Era apropriada, não acham?

sábado, 12 de Setembro de 2009

I ♥ Amazon!

Já falta pouco!

Sou rapariga para pedir um dia de férias para poder ficar a devorar esta preciosidade como ela merece. Dia 16 é quarta-feira, não aguento esperar pelo fim-de-semana.


No gira-discos: Lovely Rita, em lembrança do Tiago de 09.09.09 e da sua Rita

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

The Beatles 09.09.09

Ao fim da tarde, numa rápida passagem na Worten (precisava de uma multifunções nova), já a caminho da caixa, passei por um escaparate onde estavam todos os discos dos Beatles lançados precisamente hoje, 9 de Setembro de 2009. Detive-me a sorrir, embevecida, a contemplar todas as capas que tão bem conheço e trazem por arrasto os conteúdos que são para mim um grande amor. Não tinha a menor intenção de comprar um único disco que fosse, claro. Para isso há a Amazon.

E nisto deparo com um menino já a afastar-se. Espreitei-lhe as mãos, firmemente agarradas ao Revolver. O sorriso fez-se-me maior, até porque ele era bastante mais novo do que eu, e eu, convém lembrar, tinha nove anos quando os Beatles se separaram.

— Ah, o Revolver! É o seu favorito, portanto... — encarei-o a sorrir. — Eu acho que lhe prefiro o Rubber Soul e o Abbey Road...

Dois beatlemaniacs fanáticos... o que era que vocês esperavam? Claro que nos pusemos à conversa. Ele (nem trocámos nomes, éramos apenas dois apaixonados pelos Beatles) disse-me da sua mágoa de não poder comprar a edição inteira para os verdadeiros amantes dos Beatles, que (CLARO!) não está disponível em Portugal. Tencionava encomendá-la na Amazon (ainda por cima, muito mais barata), mas hoje era um dia importante, tinha de comprar um disco, mesmo que viesse a ficar com ele repetido.

Estaquei. É que eu tenho este fascínio pelas datas que são marcos, é que eu tenho este fascínio por símbolos. Ele tinha razão, era importante comprar hoje um dos novos-velhos discos dos Beatles, mesmo que viesse a ser um disco repetido. Não escolhi nenhum dos meus preferidos. Escolhi Please Please Me, o primeiro de todos, que simboliza o primeiro passo naquela gloriosa e inesquecível caminhada.

Rimos porque eu trazia a Blitz cuja capa está lá em cima debaixo do braço. Dei-lhe o endereço deste cantinho, espero que ele cá venha, o meu/nosso amigo de quem nem o nome fiquei a saber.

A multifunções, depois do longo processo de instalação, foi inaugurada com a minha compra simbólica nesta data tão especial. Aqui ficam, o disco ainda embrulhado em celofane, a capa e a contracapa do novo Please Please Me hoje lançado. E que já ouvi duas vezes, de auscultadores na cabeça, para captar todas as subtilezas. Vou agora para a terceira. Poderia haver melhor estreia para uma máquina?

A coisa poderia ter ficado por aqui, diriam vocês. Errado. Muito errado. Na minha cabecinha sonhadora já só dançava uma certa imagem. Esta imagem:

E pronto. Não resisti a fazer a encomenda. Há pouco, porque hoje era o dia, este 09.09.09. Gosto de datas e de símbolos, ainda mais quando ambos se juntam. A encomenda vai chegar a tempo da minha homenagem anual e por inteiro, no dia 5 de Outubro, como podem verificar pelo comprovativo da Amazon.


(porque é a grande favorita do Luis Titá, que tem feito um trabalho notável e incansável de divulgação
deste lançamento no seu Ié-Ié; e porque é cantada pelo meu querido George)

terça-feira, 7 de Abril de 2009

Um fantástico presente!


Recebi-o hoje de um querido amigo, é para mim uma alegria partilhá-lo convosco.

É o BT — Beatles Tube (Video & Lyrics). Cada título de canção é um link para o vídeo respectivo, acompanhado da letra.

Confessem que é genial!

Mas atenção, provavelmente nem todos os links funcionarão (caso de All My Loving, como acabo de verificar), e nesses casos tentarei, com tempo, encontrar substituto. Noutros, como é tão frequente, trata-se apenas de imagem parada, ou de uma sucessão de imagens. Paciência... ainda assim é fabuloso!

E mudo a música, é só o tempo de a carregar. Escolho She's Leaving Home: para mim, seguramente, uma das suas dez melhores músicas.


A Day in the Life
A Hard Day's Night
A Taste of Honey
Across The Universe
Act Naturally
All I've got to Do
All My Loving
All Together Now
All You Need Is Love
And I Love Her
And Your Bird Can Sing
Anna (Go To Him)
Another Girl
Any Time At All
Ask Me Why
Baby It's You
Baby You're A Rich Man
Baby's in Black
Back In The USSR
Bad Boy
Because
Being for the Benefit of Mr. Kite!
Birthday
Blackbird
Blue Jay Way
Boys
Can't Buy Me Love
Carry That Weight
Chains
Come Together
Cry Baby Cry
Day Tripper
Dear Prudence
Devil In Her Heart
Dig A Pony
Dig It
Dizzy Miss Lizzie
Do You Want to Know a Secret
Doctor Robert
Don't Bother Me
Don't Let Me Down
Don't Pass Me By
Drive My Car
Eight Days a Week
Eleanor Rigby
Every Little Thing
Everybody's Got Something to Hide Except For Me and My Monkey
Everybody's Trying to be My Baby
Fixing a Hole
Flying (instrumental)
For No One
For You Blue
Free As A Bird
From Me To You
Get Back
Getting Better
Girl
Glass Onion
Golden Slumbers
Good Day Sunshine
Good Morning, Good Morning
Good Night
Got To Get You Into My Life
Happiness is a Warm Gun
Hello, Goodbye
Help
Helter Skelter
Her Majesty
Here Comes The Sun
Here, There And Everywhere
Hey Bulldog
Hey Jude
Hold Me Tight
Honey Don't
Honey Pie
I Am the Walrus
I Call Your Name
I Don't Want to Spoil the Party
I Feel Fine
I Me Mine
I Need You
I Saw Her Standing There
I Should Have Known Better
I Wanna Be Your Man
I Want To Hold Your Hand
I Want To Tell You
I Want You (She's So Heavy)
I Will
I'll Be Back
I'll Cry Instead
I'll Follow the Sun
I'll Get You
I'm a Loser
I'm Down
I'm Just Happy to Dance with You
I'm Looking Through You
I'm Only Sleeping
I'm so tired
I've Got A Feeling
I've Just Seen a Face
If I Fell
If I Needed Someone
In My Life
It Won't Be Long
It's All Too Much
It's Only Love
Julia
Kansas City/Hey, Hey, Hey, Hey
Komm Gib Mir Deine Hand
Lady Madonna
Let it Be
Little Child
Long Tall Sally
Long, Long, Long
Love Me Do
Love You To
Lovely Rita
Lucy in the Sky with Diamonds
Maggie Mae
Magical Mystery Tour
Martha My Dear
Matchbox
Maxwell's Silver Hammer
Mean Mr. Mustard
Michelle
Misery
Money (That's What I Want)
Mother Nature's Son
Mr. Moonlight
No Reply
Norwegian Wood
Not a Second Time
Nowhere Man
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Octopus's Garden
Oh! Darling
Old Brown Shoe
One After 909
Only A Northern Song
P.S. I Love You
Paperback Writer
Penny Lane
Piggies
Please Mister Postman
Please Please Me
Polythene Pam
Rain
Real Love
Revolution 1
Revolution 9
Rock and Roll Music
Rocky Raccoon
Roll Over Beethoven
Run For Your Life
Savoy Truffle
Sexy Sadie
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (Reprise)
She Came In Through The Bathroom Window
She Loves You
She Said, She Said
She's A Woman
She's Leaving Home
Sie Liebt Dich
Slow Down
Something
Strawberry Fields Forever
Sun King
Taxman
Tell Me What You See
Tell Me Why
Thank You Girl
The Ballad of John And Yoko
The Continuing Story of Bungalow Bill
The End
The Fool On The Hill
The Inner Light
The Long And Winding Road
The Night Before
The Word
There's A Place
Things We Said Today
Think For Yourself
This Boy
Ticket to Ride
Till There was You
Tomorrow Never Knows
Twist and Shout
Two of Us
Wait
We Can Work It Out
What Goes On
What You're Doing
When I Get Home
When I'm Sixty-Four
While My Guitar Gently Weeps
Why don't we do it in the road
Wild Honey Pie
With a Little Help From My Friends
Within You Without You
Words of Love
Yellow Submarine
Yer Blues
Yes It Is
Yesterday
You Can't Do That
You Know My Name
You Like Me Too Much
You Never Give Me Your Money
You Really Got a Hold on Me
You Won't See Me
You're Going to Lose That Girl
You've Got to Hide Your Love Away
Your Mother Should Know