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quinta-feira, 15 de julho de 2010

John Lennon's Mother

Doze anos depois da morte brutal de Julia, a mãe, já na maturidade da casa dos 30, em que tinha acabado de entrar, John Lennon abria o seu primeiro álbum a solo, Plastic Ono Band, com uma canção desgarradora: Mother.

Uma canção que grita uma dor lancinante, nunca cicatrizada, nunca resolvida. Uma canção que é,  para mim, provavelmente, a mais dolorosa da história do pop/rock. A dor de John vai muito além da perda da mãe aos 17 anos. A dor de John vem de um passado muito mais antigo, dos seus quatro e cinco anos, e a música é uma acusação simultânea à mãe e ao pai, por quem sempre se sentiu abandonado. Abençoada seja para sempre a Tia Mimi, que acabou por ser a sua verdadeira mãe.

Mother
Mother, you had me but I never had you,
I wanted you but you didn't want me,
So I got to tell you,
Goodbye, goodbye.
Farther, you left me but I never left you,
I needed you but you didn't need me,
So I got to tell you,
Goodbye, goodbye.
Children, don't do what I have done,
I couldn't walk and I tried to run,
So I got to tell you,
Goodbye, goodbye.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home.
Mama don't go,
Daddy come home... 


No Gira-discos: John Lennon - Mother (Plastic Ono Band)

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Peace & Love... from Gondomar!

Carolina, 23 anos, Gondomar

A Carolina é fã dos Beatles desde bebé, herança do pai, o Teo, conforme ele nos contou:

«Cara Teresa, boa tarde!
Acompanho o seu blog "The Beatles Forever" nos últimos 2 meses, quase todos os dias.
Parabéns pelo trabalho e pela dedicação, tem sido soberbo ler os posts que vão aparecendo.
Parabéns ao Abel, também!
Em anexo segue uma foto que tirei da minha filha, Carolina, saudando Ringo pelos seus 70 anos. Ela sempre achou graça aos meus óculos escuros dizendo que eu estava parado no tempo, então obriguei-a a colocá-los e fazer o "V" para lhe enviar a foto usando um modelo que aparentemente fazia e ainda faz o estilo do velho Ringo.
A miúda tem 23 anos e cresceu a ouvir Beatles em casa (entre outras coisas), mas com pouco mais de um ano já me pedia "Oh! darling" à maneira dela (Oh Jóli!)...
ela lá sabia do que gostava e aproveitava para cantar com um microfone improvisado na hora (tudo servia, desde colheres a sapatos, ou pernas de bonecas), tinha era que ser essa canção.
Nos últimos tempos viu-me a ficar mais beatlemaníaco (desde que achei o seu blog) e comentou que na turma dela, na faculdade, ninguém conhece Beatles... aliás os amigos não são capazes de citar nenhuma canção dos Fab Four... que tristeza!
Enfim, sinal dos tempos, talvez.
Fico por aqui, não incomodo mais.
Tudo de bom
Abraço
PS: não repare na qualidade da foto, foi tirada com o telemóvel... ;-)»

«Caro Teo,
Nem imagina como agradecemos a sua mensagem. Mais uma vez, a intuição diz-me que vem do Brasil (o uso repetido do gerúndio, tão revelador).
Quanto aos parabéns pelo blogue, que muito nos sensibilizam, eles são principalmente dirigidos ao Abel, que tem feito um trabalho notável.
Se nos autorizar, amanhã publicaremos o retrato da linda Carolina e o texto da sua mensagem. Ao som de Oh, Darling!, evidentemente. Podemos? E diga-nos de onde nos escreve, por favor.
Peace and Love.
Teresa & Abel»

E mais o esclarecimento final do Teo:
«Teresa, bom dia!
Acertou na questão do Brasil, o que prova ser boa observadora. :-)
Sou português, mas morei 15 anos em Porto Alegre / RS, de 1977 a 1991. Alguns resquícios ficaram, naturalmente...
Escrevo de onde sou natural, Gaia, mas moro junto ao Douro, num lugar chamado Jovim, em Gondomar.
Pode publicar a foto no blog, com certeza, acho que a Carolina ficará envaidecida... :-)
Obrigado pela simpática resposta.
Peace & Love / T»

terça-feira, 13 de julho de 2010

Ringo Starr — Photograph/ Down and Out, 45rpm — Made In Portugal

Ahhhhhh! Ó p'ra mim a fazer concorrência ao meu sócio! E a copiar-lhe o formato, de caminho...
Este é meu, comprado na antiga Grande Feira do Disco da Rua do Forno do Tijolo. Reparem na etiqueta com o preço, na contracapa: 57$70, cerca de 28 cêntimos.

Continuo a adorar esta música, composta em parceria com o meu querido George.


Edição Portuguesa
Made In Portugal
45rpm
Apple 8E 005482F


Photograph
(R. Starkey — G. Harrison)

Down and Out
(R. Starkey)




Contracapa



Etiqueta




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Peace and Love... from Brazil! (reprise)

Tal como eu tinha previsto, a entrada de ontem tem correcções. E correcções muito interessantes.

Elaine Vigianni, 31 anos, Fortaleza, Brasil

Recebemos da Elaine esta encantadora mensagem, que passo a transcrever.
 
«Oi, gente amiga e beatlemaníaca!

Mariana Kalenna é a adolescente da foto, minha enteada de 15 anos, o homem é Jairo, o jovem e meu marido de 40 e poucos e a outra sou Elaine, não tão menina de 31 anos. Meu marido é um betleamaníaco que passou a paixão a mim e a prole, faltou somente a foto da mais nova Letícia que estava na escola. Fomos avisado pela Marta, nossa amada amiga portuguesa e betleamaníaca, sobre aniversário do Ringo e do pedido dele, ao chegar em casa pedi para tirar a foto e a Kalenna enviou para vocês.
Para vocês terem uma idéia da tara do meu marido pelos Beatles o nome da Kalenna foi uma "criação" dele para homenagear o McCartney e o Lennon, ele juntou Ca com Lenn e acrescentou um a e substitui o C por um K, já que o nome da mãe dela iniciava com K também, e assim ficou Kalenna. Só bem mais tarde quando Letícia estava no forno, descobrimos que Kalenna é um nome de origem havaina e que significa pura, mas a idéia foi homenagear os Beatles.
Adoramos participar da corrente Paz e Amor em homenagem ao Ringo.

Beijos, Paz e Amor,

Elaine Vigianni.»


Jairo, 40 e poucos anos, Fortaleza, Brasil
O pai beatlemaníaco que encontrou maneira de homenagear os Beatles no nome da filha


Mariana Kalenna, 15 anos, Fortaleza, Ceará (Brasil)
A menina cujo segundo nome é uma homenagem a Paul e a John


Um grande beijo nosso a esta família tão simpática. Ficamos agora à espera da fotografia da filha mais nova, Letícia, que estava no colégio. Toda esta semana celebramos os 70 anos de Ringo. Ele merece!


domingo, 11 de julho de 2010

Peace and love... from Brazil!

Fico enternecida quando me apercebo de que o legado dos Beatles é eterno, de que as novas gerações também lhes recolheram o testemunho. Do Brasil chegaram-nos três retratos a responder ao apelo de Ringo no dia dos seus 70 anos, todos enviados pela Mariana Kalenna. Temos adiado a publicação porque gostaríamos de saber os nomes destes fãs dos Beatles tão novinhos que nos lêem do outro lado do Atlântico. Infelizmente, a Mariana ainda não nos esclareceu. Como tal, esta entrada poderá vir a ter correcções. É que há duas meninas nos retratos, ninguém nos garante que a Mariana seja aquela que julgamos. Continuamos à espera de esclarecimentos, Mariana & Amigos.

Mariana Kalenna, 15 anos, Fortaleza, Ceará (Brasil)

Não lhe sabemos o nome, só sabemos que é fã dos Beatles.
Supomos que seja também de Fortaleza

Idem. Julgamos que esta carinha tão nova e tão bonita seja de Fortaleza.
Meninas e menino, identifiquem-se, vá lá! :)


quinta-feira, 8 de julho de 2010

Old Friends (and then there were two)


«And then there were two* Dois são os Beatles sobreviventes, dois são os autores deste blogue, que nasceu de uma paixão vinda da infância, quando nenhum de nós tinha ainda idade para perceber letras ou a tremenda importância que os Beatles tinham, continuam a ter e sempre terão no grande quadro geral da história da Música. Não foram uma euforia passageira, não foram um corte de cabelo, ou, melhor dizendo, a ausência dele, que os cabelos foram ficando mais e mais compridos (e imitados mundo fora). Li algures que Eisenhower terá comentado um delicioso «They look like great guys, but they sure need haircuts!» A passagem dos anos, já quarenta desde que se separaram naquele dia 10 de Abril de 1970, tinha eu nove anos, tinha o Abel onze, não lhes retirou nem uma centelha de brilho ou de fascínio. Ao invés, brilho e fascínio parecem crescer mais e a mais, a cada ano que passa.

Nesta semana em que homenageamos os 70 anos de Ringo, o mais velho dos quatro, e em que proponho  que lhe demos especial destaque (tal como fiz em tempos na Gota, aquando dos 83 anos de Charles Aznavour, senhor que venero, com entradas diárias sobre ele, a começar nesta), detive-me ontem a pensar nas personalidades dos quatro Beatles, todas tão diferentes, tão diferentes como diferentes eram as imagens individuais que deles tinham os fãs. John era o rocker, o de sentido de humor sulfúrico, Paul era o menino bonito de grandes olhos, o das baladas românticas de belas melodias, Ringo era o simpático, o bonacheirão, sempre a sorrir placidamente sentado à bateria. George (o meu querido George, era para mim o mais giro) parece ter escolhido ser o grande mistério.

Ringo fez ontem 70 anos. E por causa desta idade que é um marco, foi impossível não lembrar uma certa música de um duo que é outro imenso amor na minha vida, e um certo verso dela: «How terribly strange to be seventy!» Guardamos na memória, eternamente, a imagem de quatro rapazes na casa dos 20 anos. Nem Ringo nem John, os mais velhos, tinham ainda feito 30 anos quando o grupo se separou. E é mesmo terrivelmente estranho pensar que Ringo fez ontem setenta anos. A música de que falo é dos meus também muito amados Simon & Garfunkel e chama-se Old Friends. Old friends permaneceram os quatro, mesmo havendo atritos (qual a amizade em que não surgem atritos?). Primeiro partiu John, faz em Dezembro próximo trinta anos. And then there were three. Depois partiu George, o mais novo, em 2001. And then there were two: Ringo e Paul. Old friends.

Nesta página de saudade, de amor, de homenagem singela, a que está ao nosso alcance, também somos dois. Old friends não somos ainda, que não houve ainda tempo e histórias partilhadas que cheguem para tal, acreditamos que viremos a merecer o estatuto. Mas somos old souls.

Por tudo isso, por Ringo que fez ontem 70 anos, pelas velhas amizades de toda a vida, pelas que virão a sê-lo, pelas almas que misteriosamente parecem ter-se conhecido desde sempre, a música hoje, excepcionalmente, não é dos Beatles. É deles, Simon & Garfunkel. Old Friends. E não resisto a colar-lhe Bookends, a que costumo chamar «o minuto mais perfeito da história da música».


*  Referência ao título de um álbum dos Genesis de 1978, após a saída de Steve Hackett.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

With a little help from OUR friends

Tal como prometido, aqui ficam os nossos retratos de parabéns a Ringo, os dedos erguidos como Ringo pediu, a desejarem Peace and Love.

É mais do que justo que a honra da primeira imagem aqui publicada vá para a nossa Beatlemarta (o nome já diz tudo, não é verdade?), que, por volta do meio-dia e meia, já estava a enviar-nos a sua fotografia. A Beatlemarta levou o nosso pedido (e isto não é um plural majestático, apesar de ter sido eu a formulá-lo aqui, foi coisa decidida em conjunto por mim e pelo Abel) tão a sério que o transformou em autêntica missão.

Marta Robinson, de Lisboa
34 anos
5 gatos
1 filho
1 marido
TODOS FÃS DE BEATLES (até os gatos)

As palavras são dela, e arrancaram-me uma sonora gargalhada quando as li. E sendo nós, eu o Abel, absolutos cat people, percebemos muito bem a devoção dos felinos da Marta pelos Beatles — os gatos são bichos sábios.

Dois últimos apontamentos sobre a Marta, que não resisto a pôr aqui. A Marta começou a comentar este blogue numa data histórica, 09.09.09 (podem ir lá verificar). A Marta não tinha blogue à época, descubro hoje que tem um blogue recente, criado em Junho. Não sobre os Beatles, chama-se Esmalterapia, é sobre uma coisa da qual também gosto imenso: vernizes de unhas! Aqui o Abel vai torcer o nariz, que não gosta de ver mulheres de unhas pintadas, mas nós duas cá nos entendemos, e provavelmente ainda vamos acabar a trocar blogues sobre o assunto (conheço alguns mesmo muito bons). A propósito, o meu de hoje é o Andreia n.º 40, qual é o seu?

Abel Rosa, autor do Beatles Forever!, e Duarte Caldas (sem blogue, que eu saiba).
Ambos de Lisboa, via iPhone, na sede da IBM portuguesa



Teresa, eu própria, também autora do Beatles Forever!, também de Lisboa.
Via Conceição, colega de gabinete, no Colosso

Happy birthday, Ringo! Peace and Love!

Dear, dear Ringo!

Happy 70th birthday!

Peace and Love, Dear Ringo!

Ringo faz hoje 70 anos. E descobri aqui que o melhor presente que poderá receber será que ao meio-dia, onde quer que os seus fãs estejam, façam este famoso gesto dos anos 60 a desejar paz e amor.

Os autores deste blogue vão fazê-lo, as fotografias aqui virão parar.

Se os nossos leitores quiserem juntar-se a nós nos votos de parabéns a Ringo, é só fazerem o mesmo e enviarem-nos as fotografias do vosso gesto ao meio-dia para o endereço que encontram na barra lateral, e dizende de que cidade nos escrevem. Qualquer imagem feita com um telemóvel  servirá, basta ser da vossa mão, nem precisam de mostrar a cara, se não quiserem, todas as imagens recebidas serão publicadas, salvo indicação em contrário. Não se trata de um concurso de fotografia, trata-se de homenagear Ringo no dia dos seus 70 anos. «Wherever you are at noon put your fingers in the air and say 'peace and love' for me. It's sort of caught on, it's worldwide now» — é o seu pedido.

Dear, dear Ringo... HAPPY BIRTHDAY!


segunda-feira, 5 de julho de 2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Dakota Building

Neste post do meu parceiro no crime em que aparecia a capa de Watching the Wheels, o nosso atento leitor e comentador JCC identificou certeiramente o edifício que surge por trás de John e Yoko na fotografia: o célebre Dakota Building. Yoko continua a viver lá, quase trinta anos depois. O edifício teve e tem ocupantes ilustres (entre eles uma senhora que muito admiro, dona de voz arrepiante, protagonista de uma história deliciosa na noite, de luto para todos nós, em que John Lennon foi assassinado por pessoa cujo nome nunca será escrito neste blogue, e que esperamos apodreça na prisão até ao fim dos seus dias. O Dakota Building não escapa à romagem de saudade dos amantes dos Beatles, e eu não sou excepção.



(porque é uma extraordinária música, porque amor é bem isto que sentimos pelos quatro)

sábado, 24 de abril de 2010

As Mais Amadas #1: She's Leaving Home

Todos temos músicas que são as músicas da nossa vida. Quase sempre estão associadas a memórias e têm o condão de nos transportar no tempo. Achei que seria boa ideia que eu e o meu sócio fôssemos aqui deixando ocasionalmente as nossas.

Ao longo dos anos, fui gravando muitas cassetes (ainda se lembram desses objectos jurássicos?) com músicas dos Beatles, umas para mim, outras para oferecer. As canções que delas constavam só raramente coincidiam com as das colectâneas — Can't Buy Me Love e I Want to Hold Your Hand, por exemplo, que são possivelmente o expoente mais alto do auge da Beatlemania, nunca figuraram entre as minhas favoritas

Para mim, She's Leaving Home é, muito provavelmente, a melhor canção dos Beatles. Tantos anos passados, nunca consigo ouvi-la sem me comover. Poderão argumentar comigo que esta, aquela ou aqueloutra são ainda melhores, mas é difícil destronar uma escolha tão profundamente emocional como é esta minha. Não vale a pena entrar em pormenores sobre a  história da sua composição, qualquer busca na Internet fornecerá informação abundante, basta começar por este artigo da Wikipedia.

She's Leaving Home é, além de tudo o mais, que é tanto, que é o mundo inteiro, uma música que plasma como nenhuma outra o conflito de gerações, o famoso generation gap. Fixou para sempre no tempo a rebeldia da juventude da década de 60, na sua ânsia de voo a esbarrar em convenções e em incompreensão. Hoje, sendo já mais velha do que eram os pais da rapariga de quem não sabemos o nome e que, até por isso, mais representativa é de toda uma geração que viveu uma realidade semelhante, vejo os dois lados e condoo-me ainda mais. Compreendo-a a ela, compreendo os pais — coisa que, provavelmente, torna tudo ainda mais pungente. E, de caminho, não posso deixar de me maravilhar com o amadurecimento de Paul e John, à época apenas com 24 e 26 anos. A letra, que equaciona os dois lados da realidade com rara sensibilidade, é soberba.

Li ainda nos meus teen years um livro muito curioso. The Drifters, de James A. Michener, que recebeu em Portugal o esdrúxulo título de Os Filhos de Torremolinos. Para nós, portugueses, tem o interesse acrescido de a acção de dois dos seus capítulos decorrer no Algarve e em Moçambique, então ainda uma colónia nossa (a acção decorre em 1969).

À data da publicação do livro, 1971, o autor tinha 64 anos e conseguimos identificá-lo com o narrador, um homem muito mais velho que acompanha ocasionalmente aquele grupo de três rapazes e três raparigas em busca de identidade. E é justamente ele que, no capítulo Algarve, descobre (com dois anos de atraso) num restaurante do centro de Albufeira um disco chamado Sgt Pepper's. Fica perdido de amores por Lucy In The Sky With Diamonds, tamanho o poder evocativo que para ele tem o verso «a girl with kaleidoscope eyes»; em contrapartida, fala levianamente de She's Leaving Home, que resume numa frase que considero perdida de estúpida e que só pode ter sido produzida por quem não percebeu mesmo nada: conta a história de uma rapariga que foge de casa para ir encontrar-se com um homem da indústria automóvel. Generation gap no seu estado mais puro.

«Wednesday morning at five o'clock as the day begins
Silently closing their bedroom door
Leaving the note that she hoped would say more
She goes downstairs to the kitchen clutching her handkerchief
Quietly turning the backdoor key
Stepping outside she is free.

She (We gave her most of our lives)
is leaving (Sacrificed most of our lives)
home (We gave her everything money could buy)
She's leaving home after living alone
For so many years. Bye, bye

Father snores as his wife gets into her dressing gown
Picks up the letter that's lying there
Standing alone at the top of the stairs
She breaks down and cries to her husband Daddy our baby's gone
Why would she treat us so thoughtlessly
How could she do this to me.

She (We never thought of ourselves)
is leaving (Never a thought for ourselves)
home (We struggled hard all our lives to get by)
She's leaving home after living alone
For so many years. Bye, bye

Friday morning at nine o'clock she is far away
Waiting to keep the appointment she made
Meeting a man from the motor trade.

She (What did we do that was wrong)
is having (We didn't know it was wrong)
fun (Fun is the one thing that money can't buy)
Something inside that was always denied
For so many years. Bye, bye
She's leaving home. Bye, bye.
»

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Mais Mafalda e os Beatles

aqui referi a paixão de Mafalda pelos Beatles, bem conhecida de todos os que, como eu, a conhecem de cor.

Mais dois cartoons, gentileza da nossa amiga T, sobre essa paixão, que espelha certamente a do seu autor, o genial Quino, e que não é mais do que a confirmação (como se de confirmação precisássemos) dessa genialidade.


sábado, 10 de abril de 2010

The beat goes on

O meu sócio já homenageou devidamente esta data crucial no calendário dos Beatles, calendário breve mas que, a provar a sua imensa grandeza e intemporalidade, transpôs o tempo, chegou aos nossos dias e continuará vivo depois de nós.

Esta é uma entrada repetida, minha, tem dois anos. Não lhe mudo uma linha, porque é assim que o meu amor os vê. Beatles Forever!

Dez de Abril de 1970. Paul McCartney anuncia oficialmente o fim dos Beatles.

Sou capaz de disputar ao estalo com o mais apaixonado dos fãs dos Beatles o privilégio de ser a fã mais devotada. Ainda assim, não considero esta uma data triste. Importante, sim. Significativa? Muito, muitíssimo. Mas... All Things Must Pass. Tudo tem um fim. O deles foi glorioso.

Oito anos incompletos de produção discográfica. Treze álbuns originais que fizeram História e são História. Em 2004 a Rolling Stone deu-lhes o n.º 1 na sua lista dos cem maiores artistas de sempre (e já tinham passado 34 desde a dissolução do grupo...). Para mim, já se sabe, são um amor imorredoiro, como o são os grandes amores.

A separação era inevitável, adivinhava-se. Os quatro cresciam em direcções diferentes. O Álbum Branco (1968) já é ominoso — é uma criação musical magnífica, mas é uma manta de retalhos em que se ouve de tudo um pouco, ao sabor das influências pessoais que cada um dos quatro ia sofrendo. A separação, mantenho, foi no momento certo. Retiraram-se como a Garbo, no auge da fama, da adulação, da histeria. Não há um único disco menos bom, por mais que razões sentimentais nos façam pender ora para este, ora para aquele, como o grande eleito — só me ocorre um outro caso semelhante, outro amor-fanatismo meu: Simon & Garfunkel. Os Beatles (como Mozart) são um grande amor meu, sabe-se. E um grande amor interrompido antes de acabar corre o grande risco de não morrer nunca — tem o fascínio melancólico dos sonhos não realizados. Voltará sempre para nos assombrar outros amores, para se lhes sobrepor, para os invalidar, será sempre a referência, a pedra de toque, o termo de comparação. Sábios Beatles!

Lembro agora, enternecida, que não pude dar a este blóguio o URL desejado — beatlesforever.blogspot.com — porque um miúdo de 13 anos (agora 17) da Carolina do Norte se antecipou. Na altura fiquei irritadíssima, o miúdo criou e largou, o blóguio tem um único post debilóide, até hoje. Mark de Raleigh, estás perdoado.

Dez de Abril de 1970 — eu com nove anos — , comunicado à imprensa (this is the stuff legends are made of):

«(...) Spring is here and Leeds play Chelsea tomorrow and Ringo and John and George and Paul are alive and well and full of hope.
The world is still spinning and so are we and so are you.
When the spinning stops — that'll be the time to worry, not before.
Until then, the Beatles are alive and well and the beat goes on, the beat goes on.»

Deixo-vos com a mesma sequência de músicas que inaugurou este cantinho de tributo, gratidão e saudade imensa. E a lembrar a primeira mensagem escrita com votos de bom ano que me entrou no telefone em 2001, passavam dois minutos da meia-noite. Era do Vítor (que por acaso estava do outro lado da mesa, na Bica do Sapato) e dizia:

«And in the end the love you take is equal to the love you make.
Quase nunca é assim. Mas connosco é.»


É a última frase da última música do último disco dos Beatles. É o testamento. É o legado.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Parceria bloguística

O Beatles Forever! e o Ié-Ié presentes no espectáculo de José Cid na Herdade da A(r)golada, em Coruche, no passado dia 20 de Março.

terça-feira, 16 de março de 2010

To Our Norwegian Friend


You're most welcome here. Someone with so many recurrent visits can only be a total Beatlemaniac like ourselves. Feel free to comment, it would be such a great pleasure for us!

We know the automatic translation engines generate the most bizarre things and we're deeply sorry for that. But be sure we'll always be willing to help any question you may have.

And just for you, our Norwegian Friend, here's another song (and such a great one too!):

domingo, 14 de março de 2010

Os nossos leitores são mais estúpidos do que os vossos

Uma das vantagens de ter um contador de visitas instalado é que podemos saber como foi que os visitantes de acaso aqui aterraram, e graças a que buscas idiotas no Google. As mais parvas de todas vêm sempre do Brasil, é fatídico. E agora uma ressalva aos amigos brasileiros que nos visitam: isto não é uma generalização, isto é a excepção. Só que é uma excepção que nos faz rebolar a rir. Consultem os disparates que me chegaram do Brasil na minha outra casa, é só ver aqui, vão rir bastante.

Porque este blogue tem estado bastante parado, não tenho consultado as estatísticas. Mas agora, graças ao contributo de um novo autor, isto anda mais animado, temos mais visitas e... conquequentemente, temos disparates hilariantes. Há de tudo. A ortografia, já se sabe, é assim a modos que massacrada. Até Beatles com th (Beathles) temos. Duas vezes. E também temos Bitons (também veio do Brasil, lamento lamentar). Assinalei a encarnado as minhas favoritas. A coroa de glória, claro, é «Abel Road Beatles». E eis como o meu sócio se vê associado para a posteridade à rua e ao disco míticos — Abbey Road. Confesso que fiquei com um bocadinho de inveja, já que não vejo grandes hipóteses de alguém ir para o Google à procura de «Teresa Road Beatles».

Beatles em Red Rocks

Red Rocks é um soberbo e justamente célebre anfiteatro a oeste de Denver, Colorado. Escavado na rocha e de uma beleza de cortar a respiração, é visita a não perder se alguma vez passarem por ali. Pena tenho de o termos deixado para o último dia da grande viagem às Montanhas Rochosas de há dois anos, malas já no carro, já vestidos de viagem e com reserva para almoçar no melhor japonês de Denver, o Sushi Den. Gostaria de lá ter passado mais duas ou três horas, em vez de uma escassa manhã. Tanto a explorar, tantos nomes a reconhecer na extensa galeria fotográfica nas paredes do Visitor Center! E as placas, as dezenas de placas, uma para cada ano, com o registo de todos os concertos!

(clicar nas imagens para ampliar)

Corria o ano de 1964, os Beatles acabavam de tomar a América de assalto, e também passaram por Red Rocks, onde actuaram na véspera dos meus quatro anos.





«A crock of gold...»

 Fiquem com a montagem que fiz da minha passagem por Red Rocks. A banda sonora não é dos nossos amados Beatles, é de outros que ocupam o outro lado do meu coração: Simon & Garfunkel —  achei-a mais adequada, ainda assim. Há algumas imagens suplementares, caçadas na Internet, para que possa ter-se uma ideia do que será a atmosfera num concerto. E as imagens do soberbo almoço no Sushi Den, já nos subúrbios de uma cidade gigante como é Denver, aquele ar limpo, arrumado e pacífico que é bem a imagem da América que me é tão querida. Selva de pedra? A gargalhada que eu dou quando me definem assim os Estados Unidos!