sábado, 8 de dezembro de 2007

John Lennon. The Day the Music Died

8 de Dezembro de 1980. Faz hoje vinte sete anos. Vinte sete. John Lennon foi assassinado. Quando disse, anos antes, o seu célebre «The Dream is over», não sabia quão ironicamente enganado estava. O sonho tinha perdurado ainda depois dos Beatles, foram as balas do assassino cujo nome não vou escrever que o mataram. E que nos deram consciência da nossa própria mortalidade. Obrigada, Yoko Ono, o grande amor da vida de John, por continuar a lutar para que a criatura não saia da prisão. Já lhe foram recusados quatro pedidos de liberdade condicional. No dia 8 de Dezembro de 1980 morreu muito mais do que um homem, morreu uma concepção do mundo. Foi o fim definitivo de uma era.

Ele tinha 40 anos acabados de fazer (9 de Outubro). Eu tinha 20, feitos em Agosto. E, claro, tinha uma enorme paixão pelos Beatles. Ele era o meu preferido, pelo sentido de humor sardónico, que não poucas arrelias lhe trouxe. Devido à diferença horária, já só no dia 9 fomos colhidos pela notícia. Tinha combinado almoçar em casa do Vítor, como em tantos outros dias. Ele não tinha aparecido na faculdade, na véspera tinha-me dito para ir lá ter depois das aulas, mesmo que ele não pusesse lá os pés. Estranhei que fosse ele a abrir a porta, estranhei encontrá-lo já à minha espera no patamar, junto do elevador. Abri a porta interior, ele abriu a outra e pôs-me as mãos nos ombros. «Teresa, o John Lennon morreu.»

Devo ter aberto muito os olhos, dividida entre espanto e incompreensão, a tentar assimilar. Não me lembro do que disse, se é que disse alguma coisa. Só me lembro de que chorei. Ali, no patamar, parada ao lado de um elevador com as duas portas escancaradas. Chorei no ombro do Vítor.

A imagem que ilustra este post é a capa da revista Time dessa semana. Uma preciosidade. Que eu tinha. Estupidamente, emprestei-a. Adivinhem o que aconteceu... O título, «When the Music Died» é uma referência (incorrecta) a um verso do refrão de American Pie, de Don McLean: «The day the music died...»


Nota: Excepcionalmente, este post está repetido no Gota de Ran Tan Plan

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Rubber Soul

Editado a 3 de Dezembro de 1965, faz HOJE 42 anos. Happy birthday, Rubber Soul!

Um dos meus grandes favoritos. Uma vez mais, opto por pôr aqui uma das músicas menos conhecidas, You Won't See Mee. Com este álbum tem início a segunda fase dos Beatles, em que todas faixas já são da autoria do grupo. Uma fase mais amadurecida, já sem odes aos encantos de dar a mão, já sem os yeh-yeh-yeh que em Portugal até viriam a servir para baptizar essa nova música que nos vinha de fora e que passou a ser designada por... música ye-ye. Era muito pequena, mas lembro-me perfeitamente.

É o álbum em que saiu In My Life, de John Lennon - será preciso dizer mais?

Aqui fica a lista das faixas:

Lado A:
Lado B:
Drive My Car
What Goes On
Norwegian Wood
Girl
You Won't See Me I'm Looking Through You
Nowhere Man
In My Life
Think For Yourself
Wait
The Word
If I Needed Someone
Michelle
Run For Your Life

A contracapa:


domingo, 2 de dezembro de 2007

FYI

Todos os links do arquivo do gira-discos estão já a funcionar.
Amanhã há post. Sobre um álbum que é um dos meus grandes favoritos. Algum palpite?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O imeem.com é um traste

Acabo de verificar que quase nenhum dos links para as músicas que aqui têm passado funciona (arquivo lateral). Apesar de o Beatles Forever! ter muito poucos leitores e ainda menos comentadores, peço desculpa pelo facto, de que não me tinha apercebido e que vou corrigir alojando as músicas em falta no esnips.com.

Agradeço sugestões de temas, músicas, tudo o que vos vier à cabeça.

domingo, 18 de novembro de 2007

The Ballad of John and Yoko - a história

O single de Get Back ainda era n.º 1 quando The Ballad of John and Yoko foi editado pela Parlophone, a 30 de Maio de 1969. John tinha pensado reter o lançamento até Get Back começar a baixar nas tabelas de vendas, mas reconsiderou, já que o single era o relato do seu recente casamento com Yoko, a 20 de Março, e das suas viagens a Paris e Amesterdão, com referências ao seu tal mal interpretado "os Beatles são maiores do que Cristo" e à atitude da imprensa em relação ao casal.

Quando a música foi gravada, a 14 de Abril de 1969, só John e Paul estavam no estúdio. George estava no campo e Ringo nas filmagens de The Magic Christian.

O single foi n.º 1 na Alemanha, Áustria, Holanda, Noruega, Espanha, Bélgica, Dinamarca e Malásia. Viria a ser incluído nas colectâneas The Beatles 1967-1970, The Beatles Again (também conhecida por Hey Jude Album, 1970) e 20 Greatest Hits, de 1982.

sábado, 10 de novembro de 2007

The Ballad of John and Yoko

Voltarei a esta música (que adoro!) com mais tempo, porque merece. Mais uma que não saiu nos álbuns originais. Agora quero apenas reactivar esta página que tão negligenciada tem sido. Para breve o post com a história da música, fica solenemente prometido.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O meu ritual desta data *

Eis chegado o meu feriado favorito, o da minha homenagem anual e por inteiro aos Beatles.

São precisos ritos, aprendi isto ainda criança com a raposa do Principezinho. Neste mesmo dia, 5 de Outubro de 1962, foi lançado Love Me Do em single. Nunca o tive e não admira nada, já que tinha dois anos recém-cumpridos quando saiu. Como tal, a fotografia aqui publicada é tão-somente a do álbum, o de estreia deles, editado já em 63 (22 de Março – gravado numa única sessão a 11 de Fevereiro). Tinha a obra completa deles em vinil, tenho-a em CD. Incontornáveis. The forerunners. Eles e Mozart foram os meus primeiros amores na música e... old loves die hard. Principalmente para uma estúpida saudosista como eu. Ao longo dos muitos anos, de cada vez que estreio uma aparelhagem, é sempre com o mesmo disco: a 40.ª sinfonia de Mozart, a Filarmónica de Viena dirigida por Bernstein. Porque foi o primeiro disco que comprei, tinha doze anos. Tenho manias destas. Ontem ri imenso ao telefone com um amigo, cada um a explanar as suas taras particulares. Ele achou que eu era mais tarada que ele quando lhe contei como ia ser este meu feriado. Discordo. Ele ainda é mais tarado. Eu pelo menos não distribuo os bocadinhos rasgados de talões de multibanco por diferentes caixotes de lixo: limito-me a amarrotá-los e a atirá-los para o cesto de papéis ao lado da máquina.

Mas os Beatles! Ah, os Beatles! Forerunners, repito. Há música feita a seguir com mais qualidade. Simon & Garfunkel, a quem só não consigo perdoar aquele Cecilia, que tudo o mais é eterno. Outros. A minha maratona – o tal ritual, que consiste em ouvir a obra completa deles, do primeiro ao último disco, por ordem cronológica – já começou. Vai levar-me o dia todo. São 13 álbuns (um deles duplo) e ainda os imprescindíveis Past Masters I e II, com as músicas que não constam dos originais, como por exemplo We Can Work It Out (o que eu adoro esta música!), Hey Jude ou The Ballad of John and Yoko, entre muitas. A história é antiga e tem a sua graça. No dia 5 de Outubro de 1982 cumpriam-se os 20 anos do lançamento de Love Me Do, o primeiro single dos Beatles. Centenas e centenas de estações de rádio por esse mundo fora uniram-se numa gigantesca homenagem: nesse dia, durante 24 horas, passaram Beatles. Cá foi a Rádio Comercial. Eu trabalhava nesse dia ao almoço no Disaster (saudosos tempos, muito me ri eu por lá), coisa que me deixou desvairada. Bem tentei trocar de turno, mas como era feriado não arranjei ninguém que me substituísse. Mas teimosa como a MDP (mula do pior) que sou, fui munida de uma cassete. HOJE SÓ SE TOCA ISTO! – anunciei irredutível ao gerente. Ele achava-me graça. E tinha vivido o tempo dos Beatles e do yé-yé (ainda se lembram do que era?). Concordou. Mal saiu o último cliente (freguês, como eu gosto de dizer), passámos para a telefonia. Uma orgia de Beatles. E eu sempre a cantar e a fazer coro com eles, toda a gente parva. MAS TU SABES AS LETRAS TODAS DE COR?! Sabia. Continuo a saber. Estou agora deliciada a cantar este encantador Do You Want To Know a Secret?, do meu querido George. Que já não está entre nós. Morreu a 30 de Novembro, o mesmo dia de Oscar Wilde. Fui para casa em grande velocidade, para me colar à telefonia. Lá para a noite, havia um programa qualquer apresentado por Maria José Mauperrin, que tinha como convidados dois grandes especialistas em matéria de Beatles, David Ferreira (filho de David Mourão Ferreira, um amor de pessoa) e Bernardo Brito e Cunha, que eu uns anos mais tarde também viria a conhecer. Acho que o programa se chamava Jardim da Música. Telefonei para lá a refilar, porque achava inadmissível que em todo o dia não tivessem posto nem uma única vez She's Leaving Home e Revolution. Tinha as minhas razões, eram músicas fundamentais. Generation gap e coisas assim. Puseram-me em linha, em linha fiquei mais de uma hora a conversar com eles. À beira do sinal horário, a moderadora pediu que eu não desligasse, para podermos continuar a conversa a seguir às notícias. Dois ou três dias depois, vou ao Stone's. Vem o Nuno Debonnaire todo sorridente dar-me um beijinho. «Ó minha querida, você esteve brilhante!» Primeiro nem percebi. Depois ele explicou. Tinha-me ouvido. Não desde o princípio, mas desde os primeiros cinco minutos, talvez. E reconheceria a minha voz em qualquer lado. Fiquei roxa. Abreviando... desde esse dia decidi continuar sozinha a minha homenagem pessoal aos Beatles, na mesma data, tão simbólica. Um ritual religiosamente cumprido todos os anos – só possível por ser feriado. E daí, talvez não, que eu sou doida que chegue para tirar um dia de férias por tão nobre causa! O Victor costuma telefonar-me a meio do dia. Sabedor desta minha tara, e dependendo da hora, deita-se a adivinhar. "Deixa ver... pelas minhas contas, vais no Rubber Soul ou no Revolver..." Verifico uma vez mais, um sorriso da miúda que volto a ser escancarado de orelha a orelha, que continuo a saber de cor todas as letras. Que acompanho com um gesto tosco mas de grande precisão os famosos rufos de bateria de Ringo – ao segundo exacto. E que quando uma faixa chega ao fim começa imediatamente a ecoar na minha cabeça a seguinte, que eu sei muito bem qual é.

BEATLES FOREVER!

* Tirado daqui. Escrito faz hoje um ano. O Nuno de quem falo é o meu grande amigo Nuno, cuja missa de sétimo dia foi ontem. E que também era doido pelos Beatles.

Como tudo começou: Love Me DO - 45 anos

Esta é a histórica capa do primeiro single dos Beatles. Depois dele... the sky was the limit. 5 de Outubro de 1962 ­– faz hoje 45 anos que Love Me Do foi editado. P.S. I Love You era o lado B. O álbum (Please Please Me) só seria lançado alguns meses mais tarde, já em 1963.

Aqui fica o videoclip.

domingo, 19 de agosto de 2007

Something

John Lennon considerava Something, de George Harrison, a melhor música de Abbey Road. Não é a minha favorita do álbum, esse posto vai provavelmente para Here Comes de Sun, também dele.

Este vídeo é um documento curioso e simultaneamente triste. Destes quatro casamentos, dois acabaram em divórcio (Ringo e Maureen Cox, George e Pattie Boyd, autêntico ícone da modada época e que viria a casar com Eric Clapton). Os outros dois foram interrompidos pela tragédia: o absurdo assassinato de John a 8 de Dezembro de 1980, com quarenta anos recém cumpridos; a morte de Linda, a mulher de Paul, em 1998, vítima de cancro.

Banda sonora: Maxwell's Silver Hammer, também de Abbey Road, de letra divertidíssima.

domingo, 12 de agosto de 2007

Your Mother Should Know

Sempre adorei esta música, que muito boa gente continua a desconhecer. Com o selo inconfundível de Paul McCartney, é encantadora, de uma nostalgia doce e terna e um não sei quê a fazer lembrar o vaudeville. Your Mother Should Know integrava o nono álbum dos Beatles, Magical Mystery Tour, lançado a 27 de Novembro de 1967.

Esta cena é retirada do filme homónimo.