sexta-feira, 25 de abril de 2008

Linda McCartney: behind the lens

Sir Paul McCartney (não esqueçamos este Sir tão merecido) abriu há três dias uma exposição retrospectiva da fotografia de Linda - Linda McCartney: Behind the Lens. Linda era uma muito talentosa fotógrafa e foi, de resto, o seu trabalho nessa área que a colocou na órbita dos Beatles, e fez com que os dois se conhecessem.

O Vítor enviou-me a notícia e o vídeo na CNN - que não dá código para inserção em web pages. Mas temos, uma vez mais, o glorioso Youtube. Já alguém o pôs lá, para nossa alegria. Aqui fica, como mais uma justa homenagem a uma grande senhora que faz falta. Muita falta.

Pessoas como Linda fazem do mundo um lugar melhor.

Como banda sonora, Silly Love Songs, Paul McCartney com os Wings, que Linda integrava. Porque é a música que surge no vídeo. Porque sabemos quem foi a musa inspiradora. É só parar para ver o filme...


domingo, 20 de abril de 2008

I'm Looking Through You - I

Tenho paixão por esta música, que nunca apareceu em colectâneas. Parece que a Mafalda também tinha - aqui não há dúvida possível, pois não?

Peço desculpa por os cartoons estarem em castelhano, não os encontrei em português, e digitalizar seria complicado.


Voltarei a I'm Looking Through You, prometo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Linda. Dez anos.

Linda McCartney, née Eastman. Lady McCartney. A mulher de Paul. O grande amor da sua vida. Faz hoje dez anos que partiu.

Um dos casamentos mais harmoniosos e felizes de que há memória no meio artístico - em qualquer meio, aliás -, brutalmente interrompido pelo cancro.

Num artigo para a Sunday Times Magazine, escrito para coincidir com este décimo aniversário da morte de Linda, Paul conta como se sentiu imediatamente atraído por ela quando se conheceram no Bag O'Nails, uma boîte do Soho londrino, em Maio de 1967 [onde Georgie Fame, o do célebre Bonnie and Clyde, actuava nessa noite]:

As she was leaving... I saw an obvious opportunity,” writes McCartney, who was one of Britain’s most famous stars. “I said: ‘My name’s Paul. What’s yours?’ I think she probably recognised me. It was so corny, but I told the kids later that, had it not been for that moment, none of them would be here.”

Mais tarde, nessa mesma noite, levaria Linda para o Speakeasy, outra boîte do West End: “It was our first date and I remember I heard Procol Harum’s A Whiter Shade of Pale for the first time. It became our song.”

É por isso que, em homenagem a Linda e a Paul e a um amor «that sould have lasted years», escolhi hoje para tocar aqui essa que é uma das músicas mais emblemáticas dos anos 60.

Linda morreu com 56 anos, trinta dos quais foram passados ao lado de Paul. Não pôde viver com ele os 64 anos que a vida lhes deveria ter concedido, os 64 anos da encantadora música. Nesse ano, Paul estaria a braços com uma batalha legal feroz, em que uma senhora tentava retirar-lhe do vastíssimo património uma fatia o mais avantajada possível. She is no Linda, oh no...

Em baixo, retirada do Youtube, uma das muitas homenagens a Linda, a Paul e ao casal feliz que só a morte pôde separar, ao som de Love of My Life, dos Queen. Apropriado.



Banda sonora: Procol Harum - A Whiter Shade of Pale

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Beatlemania

She Loves You é, para mim, a canção mais representativa da Beatlemania, fenómeno sem precedentes. O gigantesco Caruso, no princípio do século, tinha sido idolatrado em vida, provavelmente tão reconhecido e célebre - nas devidas proporções - no seu tempo como os Beatles foram nos anos 60. Mas com os Beatles o mundo assistiu, pasmado, a um fenómeno dificilmente explicável. Centenas, milhares de adolescentes chorosas, que arrancavam os cabelos, que desmaiavam (e desmaiavam mesmo!), que gritavam incontrolavelmente... Linda Eastman, a admirável mulher de Paul, tristemente levada em 1998, seria odiada (com muitas lágrimas de revolta à mistura, quando se soube do casamento). De Yoko Ono, por quem também tenho grande admiração, nem é bom falar. John bem sabia o que dizia com aquele «They're gonna crucify me» em The Ballad of John and Yoko... Curiosamente, apenas Pattie Boyd, primeira mulher de George, conseguiu escapar a este ciúme irracional.

Escolhi She Loves You porque o Yeah-Yeah-Yaeh do refrão viria, em Portugal, a servir para designar a música deles e toda a que lhe veio na esteira, e que ficou conhecida como música ié-ié (é favor não rir). Em 1966 os Beatles desistiram de actuar ao vivo, tamanho o tumulto e a gritaria - nem conseguiam ouvir-se a si mesmos -, começando então os agora chamados studio years.

Não resisto a pôr aqui este cartoon da Mafalda do genial Quino. A Mafalda adorava os Beatles, pontualmente aparecem referências a eles. Aqui e ali consigo até distinguir a capa do álbum (pelo menos as de Rubber Soul e Abbey Road são bem visíveis). A música que aqui vemos interrompida em plena cantoria desenfreada só pode ser She Loves You.

Algumas curiosidades: o single de She Loves You, lançado a 23 de Agosto de 1963 (quatro dias antes do meu terceiro aniversário...), viria a deter por longos anos o recorde de disco mais vendido na Grã-Bretanha, só sendo destronado em 1978 por Mull of Kintyre, de... (adivinharam) Paul McCartney. Foi também o primeiro disco dos Beatles a ultrapassar a barreira do milhão de cópias vendidas.

Uma última questão: na barra lateral tenho uma lista de Beatlemaniacs completamente desactualizada e que me apetece rever, ou até eliminar. As pessoas que dela constam nunca aqui põem os pés, nem sequer têm o Beatles Forever! nos seus links... Em contrapartida, há visitantes mais recentes que aqui vêm espreitar com regularidade, que me pedem actualizações, que o incluíram no seu rol de visitas. Caso do Codornizes, do Porta do Vento, do O Meu Cais, do Claras em Castelo, do Abencerragem (gosto do nome, muitas vezes também sinto ser isso)... Só não elimino a n.º 1, vou tentar saber notícias dela, tem o blóguio parado desde Outubro, e mais dois ou três (Artur, Azul... talvez a Famosa, mas só em atenção à Patanisca...). Alguém quer candidatar-se a nova numeração ou é uma filiação idiota? Digam de vossa justiça...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

The beat goes on

Dez de Abril de 1970. Paul McCartney anuncia oficialmente o fim dos Beatles.

Sou capaz de disputar ao estalo com o mais apaixonado dos fãs dos Beatles o privilégio de ser a fã mais devotada. Ainda assim, não considero esta uma data triste. Importante, sim. Significativa? Muito, muitíssimo. Mas... All Things Must Pass. Tudo tem um fim. O deles foi glorioso.

Oito anos incompletos de produção discográfica. Treze álbuns originais que fizeram História e são História. Em 2004 a Rolling Stone deu-lhes o n.º 1 na sua lista dos cem maiores artistas de sempre (e já tinham passado 34 desde a dissolução do grupo...). Para mim, já se sabe, são um amor imorredoiro, como o são os grandes amores.

A separação era inevitável, adivinhava-se. Os quatro cresciam em direcções diferentes. O Álbum Branco (1968) já é ominoso — é uma criação musical magnífica, mas é uma manta de retalhos em que se ouve de tudo um pouco, ao sabor das influências pessoais que cada um dos quatro ia sofrendo. A separação, mantenho, foi no momento certo. Retiraram-se como a Garbo, no auge da fama, da adulação, da histeria. Não há um único disco menos bom, por mais que razões sentimentais nos façam pender ora para este, ora para aquele, como o grande eleito — só me ocorre um outro caso semelhante, outro amor-fanatismo meu: Simon & Garfunkel. Os Beatles (como Mozart) são um grande amor meu, sabe-se. E um grande amor interrompido antes de acabar corre o grande risco de não morrer nunca - tem o fascínio melancólico dos sonhos não realizados. Voltará sempre para nos assombrar outros amores, para se lhes sobrepor, para os invalidar, será sempre a referência, a pedra de toque, o termo de comparação. Sábios Beatles!

Lembro agora, enternecida, que não pude dar a este blóguio o URL desejado — beatlesforever.blogspot.com — porque um miúdo de 13 anos (agora 17) da Carolina do Norte se antecipou. Na altura fiquei irritadíssima, o miúdo criou e largou, o blóguio tem um único post debilóide, até hoje. Mark de Raleigh, estás perdoado.

Dez de Abril de 1970 — eu com nove anos — , comunicado à imprensa (this is the stuff legends are made of):

«(...) Spring is here and Leeds play Chelsea tomorrow and Ringo and John and George and Paul are alive and well and full of hope.
The world is still spinning and so are we and so are you.
When the spinning stops — that'll be the time to worry, not before.
Until then, the Beatles are alive and well and the beat goes on, the beat goes on.»

Deixo-vos com a mesma sequência de músicas que inaugurou este cantinho de tributo, gratidão e saudade imensa. E a lembrar a primeira mensagem escrita com votos de bom ano que me entrou no telefone em 2001, passavam dois minutos da meia-noite. Era do Vítor (que por acaso estava do outro lado da mesa, na Bica do Sapato) e dizia:

«And in the end the love you take is equal to the love you make.
Quase nunca é assim. Mas connosco é.»


É a última frase da última música do último disco dos Beatles. É o testamento. É o legado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

We Can Work It Out

Sempre a incluí entre as minhas músicas favoritas. Já aqui tocou, num dos primeiros posts, é um prazer voltar a tocá-la, hoje acompanhada de imagens: nada menos do que TRÊS vídeos diferentes.

A razão de a trazer de volta hoje é simples. Melhor: são duas razões, sendo que uma fez nascer a outra. O nosso Huckleberry Friend, sem nunca ter reivindicado o estatuto oficial de Beatlemaniac e respectivo número (listagem a rever muito em breve, já que verifiquei numa rápida ronda que apenas dois dos distinguidos com tão subida honra têm esta página nos seus links), acompanha fielmente esta página saudosista, e pediu um post para esta data, que é a do seu aniversário. 8 de Janeiro. Não foi nada difícil descobrir que nesta data, em 1966, o single de We Can Work It Out chegava a número Um nas tabelas.

Parabéns HF! Espero que o presente seja do teu agrado...

Aqui têm o primeiro filme:



Neste, o lip sync é simplesmente... patético. Mas quem se rala com isso? São os Beatles!


Guardei para o fim o meu favorito - tanto que até fiz upload de propósito, já o tenho há cerca de três anos e não o encontrei no Youtube. A qualidade da imagem é paupérrima, mas delicio-me com as expressões faciais de John Lennon... e com a evidente dificuldade de Paul em controlar a vontade de rir. Que estranho é pensar agora como todos eram novos nessa época! Ringo e John, os mais velhos, tinham apenas 25 anos...





sábado, 8 de dezembro de 2007

John Lennon. The Day the Music Died

8 de Dezembro de 1980. Faz hoje vinte sete anos. Vinte sete. John Lennon foi assassinado. Quando disse, anos antes, o seu célebre «The Dream is over», não sabia quão ironicamente enganado estava. O sonho tinha perdurado ainda depois dos Beatles, foram as balas do assassino cujo nome não vou escrever que o mataram. E que nos deram consciência da nossa própria mortalidade. Obrigada, Yoko Ono, o grande amor da vida de John, por continuar a lutar para que a criatura não saia da prisão. Já lhe foram recusados quatro pedidos de liberdade condicional. No dia 8 de Dezembro de 1980 morreu muito mais do que um homem, morreu uma concepção do mundo. Foi o fim definitivo de uma era.

Ele tinha 40 anos acabados de fazer (9 de Outubro). Eu tinha 20, feitos em Agosto. E, claro, tinha uma enorme paixão pelos Beatles. Ele era o meu preferido, pelo sentido de humor sardónico, que não poucas arrelias lhe trouxe. Devido à diferença horária, já só no dia 9 fomos colhidos pela notícia. Tinha combinado almoçar em casa do Vítor, como em tantos outros dias. Ele não tinha aparecido na faculdade, na véspera tinha-me dito para ir lá ter depois das aulas, mesmo que ele não pusesse lá os pés. Estranhei que fosse ele a abrir a porta, estranhei encontrá-lo já à minha espera no patamar, junto do elevador. Abri a porta interior, ele abriu a outra e pôs-me as mãos nos ombros. «Teresa, o John Lennon morreu.»

Devo ter aberto muito os olhos, dividida entre espanto e incompreensão, a tentar assimilar. Não me lembro do que disse, se é que disse alguma coisa. Só me lembro de que chorei. Ali, no patamar, parada ao lado de um elevador com as duas portas escancaradas. Chorei no ombro do Vítor.

A imagem que ilustra este post é a capa da revista Time dessa semana. Uma preciosidade. Que eu tinha. Estupidamente, emprestei-a. Adivinhem o que aconteceu... O título, «When the Music Died» é uma referência (incorrecta) a um verso do refrão de American Pie, de Don McLean: «The day the music died...»


Nota: Excepcionalmente, este post está repetido no Gota de Ran Tan Plan

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Rubber Soul

Editado a 3 de Dezembro de 1965, faz HOJE 42 anos. Happy birthday, Rubber Soul!

Um dos meus grandes favoritos. Uma vez mais, opto por pôr aqui uma das músicas menos conhecidas, You Won't See Mee. Com este álbum tem início a segunda fase dos Beatles, em que todas faixas já são da autoria do grupo. Uma fase mais amadurecida, já sem odes aos encantos de dar a mão, já sem os yeh-yeh-yeh que em Portugal até viriam a servir para baptizar essa nova música que nos vinha de fora e que passou a ser designada por... música ye-ye. Era muito pequena, mas lembro-me perfeitamente.

É o álbum em que saiu In My Life, de John Lennon - será preciso dizer mais?

Aqui fica a lista das faixas:

Lado A:
Lado B:
Drive My Car
What Goes On
Norwegian Wood
Girl
You Won't See Me I'm Looking Through You
Nowhere Man
In My Life
Think For Yourself
Wait
The Word
If I Needed Someone
Michelle
Run For Your Life

A contracapa:


domingo, 2 de dezembro de 2007

FYI

Todos os links do arquivo do gira-discos estão já a funcionar.
Amanhã há post. Sobre um álbum que é um dos meus grandes favoritos. Algum palpite?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

O imeem.com é um traste

Acabo de verificar que quase nenhum dos links para as músicas que aqui têm passado funciona (arquivo lateral). Apesar de o Beatles Forever! ter muito poucos leitores e ainda menos comentadores, peço desculpa pelo facto, de que não me tinha apercebido e que vou corrigir alojando as músicas em falta no esnips.com.

Agradeço sugestões de temas, músicas, tudo o que vos vier à cabeça.