sábado, 22 de novembro de 2008

Álbum Branco, White Album, só The Beatles... whatever!... 40 ANOS!

Acabada de chegar de um jantar que, por si só, é passado revisitado, tendo de estar no aeroporto daqui por cinco horas e de mala ainda por fazer (o que vale é que é rápida, são só três dias)... não podia deixar de vir aqui fazer mais uma incursão no passado, lembrando este aniversário. O Álbum Branco faz hoje 40 anos. QUARENTA!

Há 45 anos, nesta mesma data, JFK era assassinado. A minha amiga Clara também faz hoje anos, o alegre grupo do Liceu cantou-lhe alegre e vigorosamente (o que não quer dizer afinadamente) os parabéns via telemóvel.

Quando voltar de Londres falarei deste grande disco como ele merece. Hoje fica só a vontade de assinalar a data. E aquela que, entre todas as músicas deste fascinante emaranhado musical, talvez seja a minha favorita. De George Harrison, o meu querido George. While My Guitar Gently Weeps.

domingo, 5 de outubro de 2008

46 — tantos!


Sou uma pessoa de ritos, e o meu rito nesta data é sempre o mesmo: tocar a obra completa dos nossos adorados Beatles do primeiro ao último disco. É que Love Me Do, o primeiro single, faz hoje anos...

É certo que levar o ritual a bom porto anuncia-se este ano complicado, que ainda vou a meio do oitavo álbum, Sgt Pepper's...

Estou delirante, com a música aos berros, a cantar em coro com eles as letras que continuo a saber de cor. Como estou de janela escancarada (o escritório é nas traseiras), de caminho faço uma boa acção, elevando o nível musical do bairro, bastante comprometido por alguém à direita, julgo que no prédio ao lado, que ao fim-de-semana põe entusiasticamente a tocar coisas que não sei identificar, mas cuja proveniência é comprovadamente abaixo de cão: no sábado passado reconheci o inefável Sai da Minha Vida, da inefável Ágata (eu chamo-lhe Iágata, a m'nina Iágata...). Nesse momento, confesso, vacilei: tenho um certo carinho pelo horror que nos proporcionou um momento de génio do génio que Herman José pode ser. Mas como, logo a seguir, veio outra coisa qualquer que berrava deslocada e repetitivamente Meu Lindo Agosto (íamos no fim de Setembro), ripostei-lhe com a Cena da Loucura da Lucia di Lammermoor. Vantagem clara de cá: ninguém tem melhores pulmões do que a minha adorada Dame Joan Sutherland... e a minha aparelhagem é melhor.

Hoje, morta de cansaço (experimentem carregar sete sacos daqueles grandes do Ikea carregados de livros, sempre a coisa mais pesada em qualquer mudança, para um segundo andar sem elevador e perceberão como o cansaço é justificado; o pior são os livros que ainda estão na mala do carro, que se traduzem em mais cinco ou seis sacos...), quando me instalei no escritório para começar a minha maratona de Beatles, vinha música do mesmo lado. Fiquei petrificada, que eram aqueles flausinos chamados Il Divo. Quando recuperei do choque, relativizei: não era surpreendente, antes condizia na perfeição. Não sei se os criaturos ainda estão para lá a debitar a sua medonha possidonice, os meus Beatles tocam mais alto! Mas, se estiverem, o bairro que escolha.

Escolhi para tocar aqui hoje a música que era o lado B de Love Me Do: P.S. I Love You. Detesto dizer que não gosto de coisas dos Beatles, mas a verdade é que nunca consegui gostar de Love Me Do. Aquilo a que aqui se presta hoje homenagem, a homenagem que religiosamente todos os anos, desde 1982, presto, é pelo simbolismo, que nunca engracei com a canção. Mas temos o lado B, o mítico lado B, que nalguns casos acabava por ser, justamente, a música de que mais gostávamos. O melhor exemplo de que consigo lembrar-me é o lado B de Daniel, de Elton John: nem mais nem menos do que o extraordinário Skyline Pigeon, seguramente entre as suas dez melhores músicas.

Alguém me fala de outros lados B?

E agora, queridos leitores fiéis deste cantinho saudoso, devo-vos um pedido de desculpa: há um ano, nesta mesma data (ver aqui), publiquei uma fotografia que julguei ser a capa original do single de Love Me Do. Não fora esta estranha mania que o Blogger tem de, ocasionalmente, nos apagar as imagens, não teria dado pela asneira. Fui em busca da fotografia, para a repor, e encontrei-a em tamanho muito maior, aquele que agora lá está. Percebi imediatamente a asneira. Aquilo é um desenho, e ninguém ia dar-se ao trabalho de desenhar os membros de um grupo no seu disco de estreia! Como tal, é apenas uma reedição do single, não sei de que ano — mas hei-de descobrir. A fotografia que aqui figura hoje, essa sim, é a do single original, pesquisei e encontrei. Espero estar desculpada.

P.S. Update importante: já vou em Magical Mystery Tour, o nono álbum! Já só faltam cinco, um deles duplo... Bom, a verdade é que faltam sete, que esta romagem de saudade não estaria completa sem Past Masters I e II, que recolhem as músicas saídas em single que não entraram nos álbuns originais. Desejem-me, pois, uma boa noitada... :)

Obrigada, M., que me ofereceu a colecção completa (à excepção do álbum branco, que não conseguiu encontrar, e que viria ser-me oferecido pelo Vasco) no dia dos meus 31 anos, com a cumplicidade da minha querida Paulinha. Eu nem leitor de CD tinha ainda...

domingo, 21 de setembro de 2008

If I fell (novo vídeo!)

Adoro esta música, não há nada a fazer. E acabo de descobrir, por puro acaso, quando estava a revisitar os Beatles com um amigo recente, amante de reggae (que detesto, mas ninguém é perfeito) este vídeo no Youtube, ao qual presto mais uma vez a minha homenagem. Obrigada, Youtube. Odeio-te, Youtube, que me borraste a maquilhagem. Ouvir e ver isto sem chorar é impossível.

Meu Deus, como eram novos! Tinham todos menos de metade da idade que tenho agora! E eu tinha apenas nove anos quando se separaram...

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Let It Be: 38 anos

O último álbum a ser gravado foi Abbey Road, mas Let It Be foi o último a ser lançado, quase um mês após a separação do grupo. E faz hoje 38 anos.

A edição de lançamento (que eu adoraria ter, evidentemente) incluía um livro, The Beatles Get Back. Só a 6 de Novembro seria posto à venda o álbum em separado. O lançamento nos Estados Unidos, a 18 de Maio, registou o assombroso número de 3 700 000 exemplares em pré-vendas.

Lado A: Two of Us, Across the Universe, I.Me.Mine, Dig It, Let It Be, Maggie May.

Lado B: I've Got a Feeling, One After 909, The Long and Winding Road, For You Blue e Get Back.

Let It Be é um álbum eivado de tristeza, pressentem-se as correntes subterrâneas, é um melancólico testemunho do fim que se avizinha. Estão todos mais velhos, cresceram em direcções diferentes, distanciaram-se.

Escolhi para o homenagear Across the Universe, a minha preferida. De John Lennon. Voltarei a ela - merece!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Linda McCartney: behind the lens

Sir Paul McCartney (não esqueçamos este Sir tão merecido) abriu há três dias uma exposição retrospectiva da fotografia de Linda - Linda McCartney: Behind the Lens. Linda era uma muito talentosa fotógrafa e foi, de resto, o seu trabalho nessa área que a colocou na órbita dos Beatles, e fez com que os dois se conhecessem.

O Vítor enviou-me a notícia e o vídeo na CNN - que não dá código para inserção em web pages. Mas temos, uma vez mais, o glorioso Youtube. Já alguém o pôs lá, para nossa alegria. Aqui fica, como mais uma justa homenagem a uma grande senhora que faz falta. Muita falta.

Pessoas como Linda fazem do mundo um lugar melhor.

Como banda sonora, Silly Love Songs, Paul McCartney com os Wings, que Linda integrava. Porque é a música que surge no vídeo. Porque sabemos quem foi a musa inspiradora. É só parar para ver o filme...


domingo, 20 de abril de 2008

I'm Looking Through You - I

Tenho paixão por esta música, que nunca apareceu em colectâneas. Parece que a Mafalda também tinha - aqui não há dúvida possível, pois não?

Peço desculpa por os cartoons estarem em castelhano, não os encontrei em português, e digitalizar seria complicado.


Voltarei a I'm Looking Through You, prometo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Linda. Dez anos.

Linda McCartney, née Eastman. Lady McCartney. A mulher de Paul. O grande amor da sua vida. Faz hoje dez anos que partiu.

Um dos casamentos mais harmoniosos e felizes de que há memória no meio artístico - em qualquer meio, aliás -, brutalmente interrompido pelo cancro.

Num artigo para a Sunday Times Magazine, escrito para coincidir com este décimo aniversário da morte de Linda, Paul conta como se sentiu imediatamente atraído por ela quando se conheceram no Bag O'Nails, uma boîte do Soho londrino, em Maio de 1967 [onde Georgie Fame, o do célebre Bonnie and Clyde, actuava nessa noite]:

As she was leaving... I saw an obvious opportunity,” writes McCartney, who was one of Britain’s most famous stars. “I said: ‘My name’s Paul. What’s yours?’ I think she probably recognised me. It was so corny, but I told the kids later that, had it not been for that moment, none of them would be here.”

Mais tarde, nessa mesma noite, levaria Linda para o Speakeasy, outra boîte do West End: “It was our first date and I remember I heard Procol Harum’s A Whiter Shade of Pale for the first time. It became our song.”

É por isso que, em homenagem a Linda e a Paul e a um amor «that sould have lasted years», escolhi hoje para tocar aqui essa que é uma das músicas mais emblemáticas dos anos 60.

Linda morreu com 56 anos, trinta dos quais foram passados ao lado de Paul. Não pôde viver com ele os 64 anos que a vida lhes deveria ter concedido, os 64 anos da encantadora música. Nesse ano, Paul estaria a braços com uma batalha legal feroz, em que uma senhora tentava retirar-lhe do vastíssimo património uma fatia o mais avantajada possível. She is no Linda, oh no...

Em baixo, retirada do Youtube, uma das muitas homenagens a Linda, a Paul e ao casal feliz que só a morte pôde separar, ao som de Love of My Life, dos Queen. Apropriado.



Banda sonora: Procol Harum - A Whiter Shade of Pale

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Beatlemania

She Loves You é, para mim, a canção mais representativa da Beatlemania, fenómeno sem precedentes. O gigantesco Caruso, no princípio do século, tinha sido idolatrado em vida, provavelmente tão reconhecido e célebre - nas devidas proporções - no seu tempo como os Beatles foram nos anos 60. Mas com os Beatles o mundo assistiu, pasmado, a um fenómeno dificilmente explicável. Centenas, milhares de adolescentes chorosas, que arrancavam os cabelos, que desmaiavam (e desmaiavam mesmo!), que gritavam incontrolavelmente... Linda Eastman, a admirável mulher de Paul, tristemente levada em 1998, seria odiada (com muitas lágrimas de revolta à mistura, quando se soube do casamento). De Yoko Ono, por quem também tenho grande admiração, nem é bom falar. John bem sabia o que dizia com aquele «They're gonna crucify me» em The Ballad of John and Yoko... Curiosamente, apenas Pattie Boyd, primeira mulher de George, conseguiu escapar a este ciúme irracional.

Escolhi She Loves You porque o Yeah-Yeah-Yaeh do refrão viria, em Portugal, a servir para designar a música deles e toda a que lhe veio na esteira, e que ficou conhecida como música ié-ié (é favor não rir). Em 1966 os Beatles desistiram de actuar ao vivo, tamanho o tumulto e a gritaria - nem conseguiam ouvir-se a si mesmos -, começando então os agora chamados studio years.

Não resisto a pôr aqui este cartoon da Mafalda do genial Quino. A Mafalda adorava os Beatles, pontualmente aparecem referências a eles. Aqui e ali consigo até distinguir a capa do álbum (pelo menos as de Rubber Soul e Abbey Road são bem visíveis). A música que aqui vemos interrompida em plena cantoria desenfreada só pode ser She Loves You.

Algumas curiosidades: o single de She Loves You, lançado a 23 de Agosto de 1963 (quatro dias antes do meu terceiro aniversário...), viria a deter por longos anos o recorde de disco mais vendido na Grã-Bretanha, só sendo destronado em 1978 por Mull of Kintyre, de... (adivinharam) Paul McCartney. Foi também o primeiro disco dos Beatles a ultrapassar a barreira do milhão de cópias vendidas.

Uma última questão: na barra lateral tenho uma lista de Beatlemaniacs completamente desactualizada e que me apetece rever, ou até eliminar. As pessoas que dela constam nunca aqui põem os pés, nem sequer têm o Beatles Forever! nos seus links... Em contrapartida, há visitantes mais recentes que aqui vêm espreitar com regularidade, que me pedem actualizações, que o incluíram no seu rol de visitas. Caso do Codornizes, do Porta do Vento, do O Meu Cais, do Claras em Castelo, do Abencerragem (gosto do nome, muitas vezes também sinto ser isso)... Só não elimino a n.º 1, vou tentar saber notícias dela, tem o blóguio parado desde Outubro, e mais dois ou três (Artur, Azul... talvez a Famosa, mas só em atenção à Patanisca...). Alguém quer candidatar-se a nova numeração ou é uma filiação idiota? Digam de vossa justiça...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

The beat goes on

Dez de Abril de 1970. Paul McCartney anuncia oficialmente o fim dos Beatles.

Sou capaz de disputar ao estalo com o mais apaixonado dos fãs dos Beatles o privilégio de ser a fã mais devotada. Ainda assim, não considero esta uma data triste. Importante, sim. Significativa? Muito, muitíssimo. Mas... All Things Must Pass. Tudo tem um fim. O deles foi glorioso.

Oito anos incompletos de produção discográfica. Treze álbuns originais que fizeram História e são História. Em 2004 a Rolling Stone deu-lhes o n.º 1 na sua lista dos cem maiores artistas de sempre (e já tinham passado 34 desde a dissolução do grupo...). Para mim, já se sabe, são um amor imorredoiro, como o são os grandes amores.

A separação era inevitável, adivinhava-se. Os quatro cresciam em direcções diferentes. O Álbum Branco (1968) já é ominoso — é uma criação musical magnífica, mas é uma manta de retalhos em que se ouve de tudo um pouco, ao sabor das influências pessoais que cada um dos quatro ia sofrendo. A separação, mantenho, foi no momento certo. Retiraram-se como a Garbo, no auge da fama, da adulação, da histeria. Não há um único disco menos bom, por mais que razões sentimentais nos façam pender ora para este, ora para aquele, como o grande eleito — só me ocorre um outro caso semelhante, outro amor-fanatismo meu: Simon & Garfunkel. Os Beatles (como Mozart) são um grande amor meu, sabe-se. E um grande amor interrompido antes de acabar corre o grande risco de não morrer nunca - tem o fascínio melancólico dos sonhos não realizados. Voltará sempre para nos assombrar outros amores, para se lhes sobrepor, para os invalidar, será sempre a referência, a pedra de toque, o termo de comparação. Sábios Beatles!

Lembro agora, enternecida, que não pude dar a este blóguio o URL desejado — beatlesforever.blogspot.com — porque um miúdo de 13 anos (agora 17) da Carolina do Norte se antecipou. Na altura fiquei irritadíssima, o miúdo criou e largou, o blóguio tem um único post debilóide, até hoje. Mark de Raleigh, estás perdoado.

Dez de Abril de 1970 — eu com nove anos — , comunicado à imprensa (this is the stuff legends are made of):

«(...) Spring is here and Leeds play Chelsea tomorrow and Ringo and John and George and Paul are alive and well and full of hope.
The world is still spinning and so are we and so are you.
When the spinning stops — that'll be the time to worry, not before.
Until then, the Beatles are alive and well and the beat goes on, the beat goes on.»

Deixo-vos com a mesma sequência de músicas que inaugurou este cantinho de tributo, gratidão e saudade imensa. E a lembrar a primeira mensagem escrita com votos de bom ano que me entrou no telefone em 2001, passavam dois minutos da meia-noite. Era do Vítor (que por acaso estava do outro lado da mesa, na Bica do Sapato) e dizia:

«And in the end the love you take is equal to the love you make.
Quase nunca é assim. Mas connosco é.»


É a última frase da última música do último disco dos Beatles. É o testamento. É o legado.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

We Can Work It Out

Sempre a incluí entre as minhas músicas favoritas. Já aqui tocou, num dos primeiros posts, é um prazer voltar a tocá-la, hoje acompanhada de imagens: nada menos do que TRÊS vídeos diferentes.

A razão de a trazer de volta hoje é simples. Melhor: são duas razões, sendo que uma fez nascer a outra. O nosso Huckleberry Friend, sem nunca ter reivindicado o estatuto oficial de Beatlemaniac e respectivo número (listagem a rever muito em breve, já que verifiquei numa rápida ronda que apenas dois dos distinguidos com tão subida honra têm esta página nos seus links), acompanha fielmente esta página saudosista, e pediu um post para esta data, que é a do seu aniversário. 8 de Janeiro. Não foi nada difícil descobrir que nesta data, em 1966, o single de We Can Work It Out chegava a número Um nas tabelas.

Parabéns HF! Espero que o presente seja do teu agrado...

Aqui têm o primeiro filme:



Neste, o lip sync é simplesmente... patético. Mas quem se rala com isso? São os Beatles!


Guardei para o fim o meu favorito - tanto que até fiz upload de propósito, já o tenho há cerca de três anos e não o encontrei no Youtube. A qualidade da imagem é paupérrima, mas delicio-me com as expressões faciais de John Lennon... e com a evidente dificuldade de Paul em controlar a vontade de rir. Que estranho é pensar agora como todos eram novos nessa época! Ringo e John, os mais velhos, tinham apenas 25 anos...