quinta-feira, 10 de abril de 2008

The beat goes on

Dez de Abril de 1970. Paul McCartney anuncia oficialmente o fim dos Beatles.

Sou capaz de disputar ao estalo com o mais apaixonado dos fãs dos Beatles o privilégio de ser a fã mais devotada. Ainda assim, não considero esta uma data triste. Importante, sim. Significativa? Muito, muitíssimo. Mas... All Things Must Pass. Tudo tem um fim. O deles foi glorioso.

Oito anos incompletos de produção discográfica. Treze álbuns originais que fizeram História e são História. Em 2004 a Rolling Stone deu-lhes o n.º 1 na sua lista dos cem maiores artistas de sempre (e já tinham passado 34 desde a dissolução do grupo...). Para mim, já se sabe, são um amor imorredoiro, como o são os grandes amores.

A separação era inevitável, adivinhava-se. Os quatro cresciam em direcções diferentes. O Álbum Branco (1968) já é ominoso — é uma criação musical magnífica, mas é uma manta de retalhos em que se ouve de tudo um pouco, ao sabor das influências pessoais que cada um dos quatro ia sofrendo. A separação, mantenho, foi no momento certo. Retiraram-se como a Garbo, no auge da fama, da adulação, da histeria. Não há um único disco menos bom, por mais que razões sentimentais nos façam pender ora para este, ora para aquele, como o grande eleito — só me ocorre um outro caso semelhante, outro amor-fanatismo meu: Simon & Garfunkel. Os Beatles (como Mozart) são um grande amor meu, sabe-se. E um grande amor interrompido antes de acabar corre o grande risco de não morrer nunca - tem o fascínio melancólico dos sonhos não realizados. Voltará sempre para nos assombrar outros amores, para se lhes sobrepor, para os invalidar, será sempre a referência, a pedra de toque, o termo de comparação. Sábios Beatles!

Lembro agora, enternecida, que não pude dar a este blóguio o URL desejado — beatlesforever.blogspot.com — porque um miúdo de 13 anos (agora 17) da Carolina do Norte se antecipou. Na altura fiquei irritadíssima, o miúdo criou e largou, o blóguio tem um único post debilóide, até hoje. Mark de Raleigh, estás perdoado.

Dez de Abril de 1970 — eu com nove anos — , comunicado à imprensa (this is the stuff legends are made of):

«(...) Spring is here and Leeds play Chelsea tomorrow and Ringo and John and George and Paul are alive and well and full of hope.
The world is still spinning and so are we and so are you.
When the spinning stops — that'll be the time to worry, not before.
Until then, the Beatles are alive and well and the beat goes on, the beat goes on.»

Deixo-vos com a mesma sequência de músicas que inaugurou este cantinho de tributo, gratidão e saudade imensa. E a lembrar a primeira mensagem escrita com votos de bom ano que me entrou no telefone em 2001, passavam dois minutos da meia-noite. Era do Vítor (que por acaso estava do outro lado da mesa, na Bica do Sapato) e dizia:

«And in the end the love you take is equal to the love you make.
Quase nunca é assim. Mas connosco é.»


É a última frase da última música do último disco dos Beatles. É o testamento. É o legado.

7 comentários:

Mad disse...

Percebo perfeitamente o António A. A. Perfeitamente. Tiro-te o meu chapéu. Again.

Mad disse...

Sabes que podes reclamar o URL do blogue do miúdo ao Blogger, já que está desactivado, e provavelmente passar todo este conteúdo para lá?

Azul disse...

Booooooom.....amiguita.....queres que te dê a " luvada" onde?????
preferes a bochecha ou, simplesmente, a boquita????
É que me pareceu ter lido ali em cima que desafias á estalada os fans nos uns ( calculo que sejam milhões) dos BEATLES!!!
E, já sabes, eu cá estou sempre pronta para uma boa ....peixeirada!(kiiiiiidding)

Já não vinha aqui á tanto tempo!

QUE BOM.

E MUSIQUITA??????


NÃO HÁ?????


MAU.

Teresa disse...

Mad,
Olha-me esta!... (entalada mode)
Não sabia que podia fazer isso! É um caso a pensar. Por outro lado, como frisou a Famosa, mantendo este url tenho o meu nome intimamente associado ao deles...
Beijo!

Azul,
Tu não me provoques! Eu sou mais fã do que tu, pronto! Tu própria confessas que não vinhas aqui há séculos :)
Beijo!

av disse...

Mad, quem é o António A.A.? Agora fiquei intrigada... será o António Augusto de Aguiar, o da avenida? Esclareçam-me, please. Ou então não esclareçam, eu amuo e pronto, fica tudo resolvido.

Teresa,
grande, grande post! A efeméride é importante e a fã nº1 está atenta, sempre. Lá vais tu para o Cata-Ventos...
beijinhos

Huckleberry Friend disse...

Teresa, enhorabuena pelo regresso, que já assinalei no codornizes. Aproveito para dizer, de passagem, que Simon&Garfunkel também são santos do meu altar... beijinhos!

av disse...

Pronto, já sei quem é o AAA. Ou melhor, não sei, mas pelo menos já o localizei lá na Gota. Merecido elogio, Teresa.
Beijinhos